segunda-feira, 14 de abril de 2014

Perdemos Ernesto Laclau

Morreu neste domingo, 13 de abril, um dos grandes teóricos políticos da atualidade: Ernesto Laclau. Em 2011, a EdUERJ teve a honra de publicar o seu clássico Emancipação e diferença, graças à iniciativa da professora Alice Casimiro, da Faculdade de Educação.

Para o professor Italo Moriconi, editor executivo da EdUERJ, Laclau teve o mérito de combinar a herança do marxismo gramsciano com as teorias radicais contemporâneas da "diferença", desenvolvendo uma perspectiva progressista e democrática frutífera para pensar as condições contemporâneas.






Mais informações sobre o falecimento de Laclau podem ser encontrados no link abaixo:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/04/1440261-morre-aos-78-o-argentino-ernesto-laclau-ideologo-do-governo-kirchner.shtml

Resenha de Emancipação e Diferença:

http://revistaestudospoliticos.com/wp-content/uploads/2012/04/4p130-135.pdf

Entrevista com Laclau (com citação ao livro Emancipação e diferença):

http://ligajus.blogspot.com.br/2013/12/entrevista-ernesto-laclau.html

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Lançamento do Livro no dia 10 de abril.




Lançamento do livro organizado pelas professoras Rosana Glat e Márcia Denise Pletsch. Abaixo, o resumo de "Estratégias Educacionais Diferenciadas para alunos com necessidades especiais" que está no site da EdUERJ.

"Reflete sobre aspectos teóricos e práticos no campo da educação inclusiva. Os capítulos abordam principalmente a utilização e a aplicabilidade do Plano Educacional Individualizado (PEI), instrumento empregado inicialmente em redes escolares na Europa e nos Estados Unidos, com a finalidade de promover o desenvolvimento e a ambientação de alunos que necessitem de cuidados especiais. Entre os temas abordados, estão estratégias pedagógicas de inclusão, como o ensino colaborativo e a aprendizagem mediada, e a atuação da escola como parceira no processo de integração do aluno com deficiência ao mercado de trabalho".


A postagem anterior é uma entrevista com a professora Rosana Glat, abordando os temas do livro.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Entrevista: Professora Rosana Glat

A Editora da Uerj acaba de lançar “Estratégias educacionais diferenciadas para alunos com necessidades especiais”, com organização de Rosana Glat e Márcia Denise Pletsch. Professora e Diretora da Faculdade de Educação da Uerj, Rosana Glat conversou com o nosso blog sobre este lançamento.

Gostaria que falasse para o leitor do Blog sobre o livro “Estratégias diferenciadas ...”. Quais são os temas abordados?

Este livro é o resultado de uma série de pesquisas desenvolvidas pelo Programa de Pós-graduação da Uerj, o Proped. Os artigos abordam estratégias diferenciadas para a aprendizagem e a inclusão de pessoas com deficiências e outras necessidades especiais.
Alguns assuntos do livro:  Plano educacional individualizado (PEI), ensino colaborativo, comunicação alternativa...Não discutimos somente sobre a escola, também sobre a inserção no mercado de trabalho, habilidades sociais e formação de professores, etc.
Como surgiu a ideia de publicar o livro?

Esta publicação é uma das ações do Projeto Formação inicial e continuada de professores comprometidos com a inclusão educacional do aluno com deficiência: do ensino fundamental à universidade”, agraciado pelo Programa de Apoio à Educação Especial da CAPES (PROESP/CAPES), sob coordenação geral da Profª. Drª Leila Regina d´Oliveira de Paula Nunes, uma das autoras do livro. É um projeto de quatro anos, que, além de publicações, promove seminários, e também financia bolsas de mestrado e doutorado. Na hora de publicar, a EdUERJ tornou-se uma opção por ser a editora da casa. Vale ressaltar que todos os autores são professores, alunos ou ex-alunos da pós-graduação ou bolsistas de iniciação científica da Uerj.

 Falando sobre o tema, qual seria a principal dificuldade na implementação de estratégias educacionais inclusivas?

A primeira dificuldade é a de adquirir a compreensão de que alunos com necessidades educacionais especiais precisam destas estratégias, não podendo acompanhar as aulas de qualquer jeito. Precisam de uma atenção diferenciada. Estas estratégias significam técnicas de ensino e aprendizagem, adaptação dos recursos disponíveis e do próprio currículo, assim como uma capacitação de professores. O nosso livro enfatiza muito o suporte da educação especial, sobretudo o trabalho colaborativo com os professores da turma comum. É preciso trabalhar junto o profissional de suporte, por exemplo, mediador ou professor da sala de recursos e o professor regente. Este não pode deixar de ser professor do aluno, ou seja, não pode simplesmente entregar o trabalho para o especialista ou mediador.
Também é preciso frisar que a inclusão em uma classe comum nem sempre é a melhor opção para todos os alunos. A tendência à generalização é complicada. Alguns alunos podem se desenvolver melhor em ambientes mais estruturados, como por exemplo, em classes especiais – desde que essas, de fato, promovam sua aprendizagem e futura inclusão.

Nesse aspecto, você acha que precisamos evoluir muito em relação aos países mais desenvolvidos?

A evolução não é em termos de legislação, que é muito boa, mas na implementação das políticas.
Nos EUA existe um plano de longo e médio prazo para cada estudante, o Plano de Educação Individualizada (PEI). Este plano é elaborado por uma equipe da escola que inclui os pais, dependendo da faixa etária, o próprio aluno, e outros profissionais que o atendem, por exemplo, psicólogo, fonoaudiólogo, etc. O PEI é feito todos anos, analisando o que é mais importante para o aluno, adaptando currículo de acordo com sua realidade. O PEI é útil não só em casos de deficiência, mas por exemplo, também com alunos com altas habilidades.

Imagino que seja mais fácil para um aluno portador de necessidades especiais ser educado em uma escola onde o ensino seja ministrado com mais zelo.  E nem sempre um ensino de qualidade é acessível. Está correto pensar assim?

Não necessariamente.  Hoje o município do Rio possui algumas escolas que são melhores para matricular uma pessoa com deficiência do que escolas particulares.

Para terminar, professora, a quem você recomenda o livro “Estratégias educacionais diferenciadas para alunos com necessidades especiais”?

O livro é voltado para pesquisadores e estudantes de graduação e pós graduação, em pedagogia, psicologia, e outras licenciaturas. Mas é indicado não só para aqueles que circulam na academia, mas para professores e demais profissionais da saúde e educação.

O Blog da Editora da Uerj agradece a sua entrevista!


quinta-feira, 27 de março de 2014

A importância da pesquisa qualitativa em geografia


Dois verbos imprescindíveis para que se desenvolva o conhecimento: pesquisar e interpretar. Este lançamento de 2013 na área de geografia traz relatos que demonstram a importância de um bom planejamento.  

São 27 artigos assinados por professores de instituições universitárias diversas, cujos textos resultam de pesquisas acadêmicas desenvolvidas em programas de pós-graduação e de iniciação-científica. As atividades práticas foram realizadas especificamente nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraíba, Goiás e Tocantins. 


Didaticamente, a primeira parte é a que destrincha os conceitos gerais, a relevância, a metodologia e os erros comuns dos que se aventuram na área deste tipo de pesquisa. Nas demais, predominam as descrições de experiências práticas.

Os exemplos vão de Uberlândia à Goiânia, passando por outros cenários, levando o leitor a uma viagem exploratória por diferentes aspectos do Brasil. Com isso, cobre o amplo espectro de dúvidas que um estudante poderia ter sobre o tema, trazendo, em suas mais de 500 páginas, narrativas que se desdobram nos campos urbano e rural.

Podemos citar como exemplo das abordagens, o artigo de Xisto Serafim de Santana sobre o discurso do medo e sua influência sobre a geografização das práticas da violência. Ou a análise de Iara Soares e de Beatriz Ribeiro para as aglomerações urbanas no Brasil, tendo Montes Claros/MG como objeto de estudo. Há também um capítulo, assinado por Glaucio Marafon e Marcelo Antonio Sotratti, sobre a pesquisa qualitativa nos estudos do patrimônio cultural em espaços rurais.

Além de dissipar dúvidas acerca a pesquisa qualitativa, o livro pode ser um atrativo para que futuros pesquisadores, ajudando-os a definir ações práticas e conceituais que resultem em um conhecimento que possa ser validado pela comunidade científica.








quarta-feira, 26 de março de 2014

Pensando um pouco sobre saúde e liberdade

A saúde não diz respeito somente aos médicos. É assunto para sociólogos, antropólogos, estudantes de comunicação...O mundo é algo muito complexo mesmo. Por exemplo, a questão do fumo. Diariamente somos bombardeados pela indústria do cigarro, suas propagandas e métodos cada vez mais convincentes.

Por outro lado, mesmo que os impostos sejam uma fonte significativa de renda, existe uma força estatal no sentido de coibir o fumo, de destacar os males causados pelo cigarro. Considero uma proteção para as pessoas que não querem ficar fumando por tabela. Contudo, o perigo está no exagero quando o fumante passa a ser estigmatizado e o conceito negativo que temos sobre o cigarro se transfere para o usuário. E se torna preconceito.

Neste ponto estamos falando de saúde, mas também sobre liberdade. Até que ponto as leis podem dizer o que um indivíduo pode ou não fazer? Vale a pena diminuir a liberdade individual em nome de um suposto bem estar coletivo?

Foram algumas das abstrações que me ocorreram quando li "De volta à polícia médica: os (des)caminhos da vigilância antitabagista", artigo escrito por Luiz Antonio de Castro Santos, que faz parte de  Contrapontos - ensaios sobre saúde e sociedade, lançado em 2013 pela EdUERJ.

Este livro traz reflexões sobre a saúde em diversos recortes temporais da história do Brasil. Aborda temas como os aspectos sanitaristas da Primeira República, questões de saúde da Era Vargas, situações relacionadas aos tratamentos da Hanseníase e a tuberculose, entre outros. Em resumo, reflexões relativas à medicina e à qualidade de vida que remetem a momentos pretéritos ou atuais de nossa sociedade.

Entre os autores estão professores como Lina Faria, Alba Zaluar e o próprio Luiz Antonio de Castro, que também é o organizador.

quinta-feira, 20 de março de 2014

A loucura como camisa de força

Por conta das questões levantadas pelo livro “Crime e Loucura”, disponibilizado pela EdUERJ para download em seu site, lembrei de um filme que me causou muito impacto: “Vincere”, de Marco Bellocchio, de 2009.
O diretor é um ícone do cinema italiano: criou obras maravilhosas como “Bom dia, noite” e “O processo do desejo”, entre outros. “Vincere” é baseado na história real envolvendo o ditador Mussolini e sua primeira esposa Ida Dalser. Ao chegar ao poder, Mussolini renegou seu primeiro matrimônio e,mesmo não sendo solteiro, casou-se de novo. O drama é centrado na luta de Ida Dalser para provar que ela é a esposa legítima do poderoso Italiano.
A reação de Mussolini é aprisioná-la em um manicômio judiciário, alegando tratar-se de um esquizofrênica. E tão grave quanto: renegando Benito Albino, o filho de ambos. 
No manicômio, poucos acreditavam que Ida havia sido realmente a mulher do ditador.  Este casara-se novamente, mesmo diante da impossibilidade judicial (com a ajuda de documentos falsos e a conivência de corruptos).

É emocionante a batalha de Dalser para garantir seus direitos e também os do filho.Mesmo aprisionada, ela não desiste. É Impossível assistir e não torcer por ela.

O filme acaba remetendo ao uso ideológico que se faz do Manicômio Judiciário para calar uma pessoa cuja única loucura é querer provar a verdade. Ou querer ser diferente.

Voltando ao livro de Sérgio Carrara, que fala da aparecimento do Manicômio Judiciario no Brasil. Pode ser baixado neste link:  http://www.eduerj.uerj.br/download/crime_loucura.pdf

quarta-feira, 19 de março de 2014

Novo Livro para download

A EdUERJ disponibilizou para download o livro “Crime e Loucura – o aparecimento do manicômio judiciário na passagem do século”, de Sérgio Carrara, professor do Instituto de Medicina Social da Uerj e Coordenador-Brasil do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos.
A obra pode ser conferida no link http://www.eduerj.uerj.br/download/crime_loucura.pdf.
A proposta do livro é analisar os motivos da implementação, em território brasileiro, do manicômio judiciário, instituição de caráter ambíguo, entre o terapêutico e o punitivo. Com isso, reflete sobre a definição de louco-criminoso, sobre conceitos como normalidade, livre arbítrio, sanidade e responsabilidade, que dividiam especialistas nas áreas criminal, jurídica e psiquiátrica. Publicado originalmente em 1998, é fruto de uma tese de mestrado do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social do Museu Nacional, baseando-se em uma pesquisa em livros, laudos e documentos do fim do século XIX e início do século XX.



Ao remeter à criação do Manicômio judiciário, o autor oferece qualidade a um debate que continua atual e que se inflama sempre que se fala sobre responsabilidade criminal ou de transtornos de personalidade como a psicopatia.


sexta-feira, 14 de março de 2014

O dia da poesia e a poesia de todos os dias

Hoje, 14 de março, comemora-se o Dia da Poesia. A data foi escolhida como forma de homenagear um dos seus maiores representantes: Castro Alves (nascido em 14 de março de 1847)

A EdUERJ carrega a poesia em suas veias: edita desde 2010 a Coleção Ciranda da Poesia, que mescla poemas e crítica literária em cada volume. A coleção foi concebida pelo editor executivo da EdUERJ, Italo Moriconi, e já conta com mais de 20 títulos. O conselho editorial é formado pelos professores Viviana Bosi, Marcos Siscar, Diana Klinger e Masé Lemos.

Com a publicação dos seus oito primeiro volumes em 2010, o professor Italo Moriconi foi finalista ao Prêmio Jabuti na categoria Teoria/Crítica Literária.
São livros em formato pequeno, fáceis de carregar. Quando você está com um deles nas mão,o difícil é não imaginar as pessoas levando os volumes da coleção para os saraus e debates de poesia contemporânea.

Uma das marcas registradas é o Layout. Cada edição estampa uma cor na capa, assim como versos em alto relevo. São dois autores/poetas em cada livro: um deles representado por uma seleção de poesias; e o outro autor é o responsável pela análise literária.
Em um "resumo poético" da proposta, diria que, em cada título,as trilhas abertas por um poema encontram a observação fértil de um poeta.

Recentemente a EdUEJ publicou "Francisco Alvim por Lu Menezes", além de Ricardo Aleixo por Carlos Augusto Lima", "Alberto Pucheu por Mariana Ianelli", "Anibal Cristobo por Manoel Ricardo de Lima" e "Ingeborg Bachmann por Vera Lins". Saíram em 2013.
Em 2014, haverá novidades!





segunda-feira, 10 de março de 2014

Sobre a série Cientistas Fluminenses

 Segue uma matéria que não é original aqui do Blog. É um texto  publicado no site www.rj.gov.br, no dia 10 de fevereiro.

 

 

Aumenta o número de instituições de ciência, tecnologia e cultura no Estado

 
 
 
Faperj lança o novo Mapa da Ciência, com acréscimo de 140 novos verbetes relacionados a entidades científicas. Lançamento inclui também o Dicionário da Política Republicana do Rio de Janeiro e a série Cientistas Fluminenses


Nos últimos dez anos, o Estado do Rio de Janeiro ganhou 140 novas instituições voltadas para a ciência, tecnologia e cultura, um acréscimo de 89% em relação ao último levantamento. A informação consta do Mapa da Ciência, publicação que será relançada no Palácio Guanabara no próximo dia 12, às 11h, agora em versão trilíngue – português, inglês e espanhol. A compilação foi feita pela primeira vez em 1999 e teve revisões lançadas em 2001 e 2004. A última apresentou 158 verbetes, enquanto a atual catalogou 298. O livro é produzido pelo Centro de Estatísticas do Rio de Janeiro (Ceperj), em parceria com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa (Faperj), vinculada à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia. Na ocasião, a Faperj lançará também o Dicionário da Política Republicana do Rio de Janeiro e a coletânea de biografias Cientistas Fluminenses.

Sobre as publicações

O Dicionário da Política Republicana do Rio de Janeiro visa colocar ao alcance da sociedade um painel informativo sobre a história política, econômica e cultural do Estado e da Cidade do Rio de Janeiro, a partir da proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, até 2009. Na obra, encontram-se as biografias de todas as personalidades que se destacaram no mundo político-administrativo local, como governadores (Rio de Janeiro e Guanabara) senadores (Rio de Janeiro e Guanabara), deputados federais e estaduais (Rio de Janeiro e Guanabara), prefeitos do Rio de Janeiro, Niterói e Campos, Arcebispos do Rio de Janeiro e personalidades que se destacaram no campo cultural e científico. O Dicionário é uma publicação apoiada pela Faperj, com 1.452 páginas, organizada e produzida por pesquisadores do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Cientistas Fluminenses é a primeira série de uma coletânea de biografias de cientistas fluminenses, focando, inicialmente, dez nomes: Anísio Teixeira, Carlos Chagas, Carlos Chagas Filho, Cesar Lattes, Edgar Roquete-Pinto, Johanna Döbereiner, José Leite Lopes, Nise da Silveira, Oswaldo Cruz e Vital Brazil. Foi organizado pela Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (EdUERJ), em parceria com o Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), com o apoio da Faperj. O objetivo da coletânea é possibilitar a difusão e a popularização da ciência e da tecnologia junto à sociedade, em geral, atividade fundamental para despertar o interesse por essa área, sobretudo dos jovens.
 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Os curimbas do Rio de Janeiro

Segue abaixo uma matéria escrita pro Vilma Homero para o site da Faperj, publicada no inicio do ano passado. Vilma traz informações sobre o livro Samba e partido-alto - curimbas do Rio de Janeiro, de Denise Barata, publicado pela nossa EdUERJ.


Não é por acaso que o livro Samba e Partido-Alto - curimbas do Rio de Janeiro tem início com versos de Assis Valente. Ao abrir o livro com "Minha embaixada chegou,//Deixa meu povo passar,//Meu povo pede licença//Pra na batucada desacatar", a autora Denise Barata já dá algumas pistas sobre seu enfoque. Mais do que relatar uma história, ela procurou contextualizar praticas culturais cariocas, de origem africana, que mantêm uma característica marcante: a da oralidade.

A escolha do tema - samba e partido alto - nasceu de múltiplas inspirações. Espécie de desafio poético, em que os partideiros se enfrentam para ver quem versa melhor, quem improvisa melhor, o partido-alto continua bastante difundido pelos subúrbios e morros cariocas. "Sua estrutura de cantos de improviso em resposta a um estribilho mantém uma característica herdada dos cantos tradicionais africanos, ouvidos no Brasil desde o século XVI", explica a pesquisadora. Foi o que particularmente chamou a atenção de Denise. "Na história cultural do Rio de Janeiro, ele evoca a paisagem sonora africana, por muitos considerada sem lógica e sem arte, por nunca ter sido vista como música que tenha recebido influência européia e por isso continua sendo encarada de forma folclorizada, como algo sem qualidade", afirma Denise. E acrescenta: "Trata-se de um estudo sobre os cantos e as vozes do Rio de Janeiro, vozes que não se deixaram aprisionar. E também sobre o curimba, que tanto quer dizer cantar, cantar para os ancestrais, quanto a própria música. Enquanto em Salvadaor, a manuntenção das práticas africanas se deu pelas conversas com o orixás do candomblé, no Rio de Janeiro, as formasa analógicas fizeram essa ancestralidade se manifestar nos territórios sagrados do samba. Por isso, considero samba e partido-alto as curimbas do Rio de Janeiro".
Denise, a autora

Assunto de sua tese de doutorado na Pontifícia Universidade de Católica de São Paulo (PUC-SP), antes de ser publicado com recursos do programa de Auxílio à Editoração (APQ3), o tema suscitou várias indagações: como discutir o processo de criação musical, como e onde se aprendia a versar, e como, mesmo longe da indústria fonográfica, o partido-alto continua firme e forte nos quintais das comunidades cariocas?

No início, Denise confessa que entrevistou os partideiros. "Ficaram entrevistas muito formais. Então, resolvi adotar um outro olhar...Optei por realizar uma pesquisa-ação. Monarco é um contador de histórias, um livro vivo da Portela. Tantinho da Mangueira é outro. Todos eles mantém tanto a memória pessoal quanto a memória daquela comunidade, e transmitem suas tradições, cantando, tocando e dançando. Essa é a forma de oralidade africana, uma outra forma de manutenção de memória, que está no corpo, na voz, tanto quanto nas palavras."

Foi assim que Denise frequentou fundos de quintal e terreiros, teve longas conversas informais com os partideiros e também cantou, tocou - é clarinetista - e dançou em muitas festas. Nascida e criada em Bento Ribeiro, filha de mãe judia e pai negro, músico e pai de santo, a própria Denise é um exemplo do que fala:
"Na minha visão, essas culturas não se misturam, mas coexistem, formando uma identidade fluida, móvel."

Visão que segue na contramão de um conhecimento que persiste no Brasil quando o assunto é a diáspora africana. "Sempre pensei a música como conhecimento. Também queria discutir o conhecimento que se faz no Brasil sobre a diáspora africana, fundamentado num olhar hegemônico, ocidental, uma forma de pensar que acha conhece mais o outro do que ele próprio, que diz ao outro quem e o que ele é, a partir de um padrão europeu, excludente. Segundo esse olhar, samba e partido-alto "melhorariam" se incorporassem uma estética mais européia, "aperfeiçoando" aspectos da melodia, eliminando certos instrumentos de percussão e algumas vozes. Isto vale tanto para a estética quanto para a música. Queria explorar um outro tipo de conhecimento que se constrói no Brasil a partir da diáspora africana, Um conhecimento que não se dá por conceitos, mas por símbolos, pela experiência e a partir de um processo de iniciação".

Quando se pensa na indústria fonográfica é um outro problema. "Ao gravar, o partido-alto perde a vitalidade, já que sua marca é o improviso". Mesmo assim, alguns foram grandes sucessos no disco, como Vai Vadiar, de Monarco e Ratinho, na voz de Zeca Pagodinho, Timoneiro, de Paulinho da Viola; ou Quitandeiro, de Paulo da Portela e Monarco. "Tempos atrás, o produtor Milton Manhães reuniu cinco partideiros num estúdio - Candeia, Velha, Casquinha, Wilson Moreira, Anézio e João da Pecadora - e gravou o disco Partindo em cinco, tentando reproduzir em estúdio o clima de um roda de partido alto, que , na época, fez um enorme sucesso de público. A questão é que para os partideiros sobreviverem fazendo esse tipo de samba é sempre difícil..."

Para a pesquisadora, o trabalho permanece inconcluso. "Talvez porque não queira terminá-lo, em função do prazer que experimentei ao produzi-lo, É uma beleza que os ideólogos da construção de um projeto de identidade nacional na música popular rejeitam e tentam esquecer. Apesar disso, ainda hoje, os partideiros tentam fazer de seus gestos e de suas vozes negras e suburbanas a concretização de sua própria memória".

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ensaios sobre religião e cidadania

Cidadania, movimentos sociais e religião: abordagens contemporâneas, lançamento da EdUERJ, é uma coletânea de ensaios que enfoca as diversas facetas da religião em momentos singulares da história de uma país do terceiro mundo. Com organização de João Marcus Figueiredo Assis e Denise dos Santos Rodrigues, o livro remete a várias fases da história brasileira.

Alguns temas fazem alusão a situações bem atuais, como a abordada no ensaio "Favela e pacificação. Religião e Estado no ordenamento do espaço social", de João Marcus Figueiredo. Outro exemplo é "Ideologia político-religiosa x político-pragmática: o caso dos movimentos sociais no Brasil", de Nadir Lara Júnior, analisando a relação dos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra com a questão da fé.

Destaca-se igualmente "A Igreja e a ditadura militar", do conceituado sociólogo Ivo Lesbaupin. O autor sustenta que a atuação da Igreja mostrou-se corajosa, embora a instituição não houvesse se posicionado dessa forma imediatamente após o golpe militar de 1964.

Um dos valores mais propagados pela religião é a caridade. O manuseio político de ações assistencialistas inspira "Indivíduo solidário e colaborador: notas sobre a construção do conceito de cidadania em tempos neoliberais", de Gisele dos Reis Cruz. Os programas Comunidade Solidária e Comunidade Ativa, implementados na década de 1990, são focos da crítica da ensaísta.

O livro também aponta para o preconceito contra a religião, como em "A secularização do Brasil na Primeira República e a criminalização do espiritismo", de Adriana Gomes.

Os capítulos citados são exemplos da abrangência desta publicação, que conta ainda com outros autores para discorrer sobre o tema.

Fruto de uma escolha pessoal, mas de cunho político, a fé não se restringe a uma questão de foro íntimo. Como instrumento de mudanças ou de sustentação do que está instituído, ela é a complexa personagem que enriquece este lançamento da EdUERJ, transformando-o em um estímulo ao debate.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Livro da EdUERJ concorre a prêmio da FNLIJ

O livro Leitura, pesquisa e ensino, da professora Márcia Cabral da Silva, concorre ao Prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), inscrito na categoria dedicada a livros teóricos. A obra, baseada em pesquisa e bem fundamentada, analisa aspectos relacionados ao hábito e ao ensino da leitura, refletindo sobre a história da sociedade brasileira em distintos momentos.

Os capítulos, que podem ser lidos de maneira independente,
são os seguintes:

1 - Bibliotecas populares: memórias, modos de leitura e acervos

2 - Dom Quixote das crianças: sobre a mediação e aspectos histórico-culturais da leitura

3 - A leitura dos jovens em um curso de formação de professores

4 - Leitura e leitores em circulação no Nordeste brasileiro na passagem do século XIX ao XX

5 - Leitura e ensino em dois manuais escolares: Terceiro livro de leitura, do Barão de Macaúbas, e A arte de aprender a ler, Duarte Ventura

6 - Leitura e educação para meninas e moças: a orientação católica e literária de Alceu Amoroso de Lima (1930-1950)

7 - O texto como aliado do professor das séries iniciais do Ensino Fundamental

8 - Projetos de leitura: planejamento e implementação

9 - Literatura na formação da criança e do jovem

10 - Leitura na escola e na vida em sociedade



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Recordando 2013: Um livro sobre Santa Cruz

Santa Cruz: de legado dos jesuítas a pérola da coroa, organizado por Carlos Engemann e Marcia Amantino, lançado pela EdUERJ, consiste em um minucioso trabalho de pesquisa histórica. Ao reconstituir a trajetória da antiga Fazenda de Santa Cruz, que existia no atual bairro de mesmo nome, o livro destaca o legado dos jesuítas ao patrimônio histórico, cultural e urbanístico da cidade do Rio. A narrativa, ágil, pode interessar principalmente a estudiosos de história e geografia.

A Fazenda de Santa Cruz foi marcada pelas diferentes administrações, tendo sido, em sua existência, jesuítica, real e imperial. Cada fase corresponde a uma parte do livro. Na primeira, aborda a administração jesuítica; a segunda trata do cotidiano dos escravos que ali trabalhavam; e, por último, enfoca os administradores do período em que a fazenda esteve sob tutela governamental, lusa ou brasileira.

O processo de coleta de dados reuniu pesquisadores de instituições universitárias do Rio (UFRJ, UFF e Universo), assim como oriundos das federais de Minas Gerais e de Pernambuco (UFMG e UFPE) e da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), no Rio Grande do Sul. A pesquisa baseou-se em documentação referente aos autos de inventários e sequestros da Fazenda em diferentes anos, entre 1759 e 1801.

Alguns dados históricos podem até remeter o leitor a casos atuais, demonstrando que determinados problemas da sociedade encontram raízes em outros tempos. Por exemplo, há um tópico que trata da corrupção no matadouro da Fazenda nos anos 1800. A narrativa conta, no capítulo dedicado à administração imperial: “A falta de anotações em livros-caixa era apenas uma forma de não ter de prestar contas à Câmara e esconder as fraudes, prática também verificada no matadouro de São Cristóvão”.

Santa Cruz: de legado dos jesuítas a pérola da coroa conta uma história que tem políticos, jesuítas, índios, escravos, comerciantes e trabalhadores como personagens. E um cenário em um dos mais representativos bairros do município do Rio de Janeiro.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Os caminhos da educação franco-brasileira

Lançamento da EdUERJ, Caminhos da educação franco-brasileira: memórias e identidades, organizado por Ana Luiza Grillo Balassiano e Lia Faria, traz à tona os resultados de estudos apresentados durante o Seminário Franco-Brasileiro de Aprendizagem do Francês, Identidades Plurilíngues e Interculturalidade. O evento, realizado como atividade integrante do Ano da França no Brasil (em 2009), contou com pesquisadores da Uerj e de outras universidades brasileiras, além de representantes do Centro de Pesquisa Interuniversitário Experice, da Universidade de Paris.

A coletânea contempla os seguintes eixos temáticos: as escolas republicanas e seus professores, as experiências dos liceus e as pesquisas autobiográficas na França e no Brasil. Com textos de pesquisadores brasileiros e franceses, leva a uma investigação dos modelos pedagógicos do passado e do presente, constituindo-se uma experiência de intercâmbio cultural. Entre os aspectos abordados, estão as representações femininas na escola republicana, a antiga prática da viagem pedagógica, a pesquisa biográfica no campo da escola e da aprendizagem, entre outros.

Além das áreas da educação e da pedagogia, os ensaios também apresentam ingredientes de história, sociologia, geografia cultural. Em comum, os textos trazem aspectos que aproximam (ou contrapõem) o Brasil e a França, principalmente nas questões relacionadas à língua, à cultura e ao ensino. Com isso, o lançamento da EdUERJ pode ser uma indicação para estudiosos das ciências da educação e também aos interessados em pesquisar sobre as relações franco-brasileiras.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Lembrando 2013: A ciência do futuro e o futuro da ciência

A Ciência do futuro e futuro da ciência, de Jorge Luiz dos Santos Junior, lançamento da Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(EdUERJ), trata de uma área tão em voga quanto controversa: a nanociência. É um campo de estudos que lida com partículas de tamanho tão reduzido que podem atravessar tecidos como o do corpo humano. Esta tecnologia pode trazer muitos benefícios para a medicina, a informática, o meio ambiente e tantas outras áreas, contudo também se faz acompanhar de riscos, o que implica uma discussão acerca de seu uso, de seus limites éticos, e uma regulamentação especifica.

Algumas questões nortearam o autor. Como tem evoluído a parceria entre a comunidade cientifica e empresas? Quem são os atores sociais que fazem parte das decisões e participam dos comitês que selecionam os projetos aptos a serem financiados? Quais os resultados da política cientifica e brasileira para o desenvolvimento social e ambiental, assim como para a prevenção de riscos?

Ao buscar estas respostas, o pesquisador se propõe a compreender a teia de relações estabelecidas entre programas governamentais, grupos de pesquisa, movimentos sociais e empresas. Para isto, vários procedimentos foram utilizados em sua pesquisa. Por exemplo, foram mapeados e analisados não só os editais de pesquisa de nanociência e nanotecnologia lançados pelo CNPq no período de 2000 a 2010, como também os projetos selecionados.


A ciência do futuro e o futuro da ciência revela lacunas das políticas públicas e uma comunidade de pesquisa da área, que se mostra de caráter pouco multidisciplinar, assim como excessivamente reticente em consideração aos riscos sociais e ambientais.  Com isto, Jorge Luiz dos Santos desenha um quadro político que conta com a participação dos atores sociais externos às redes de pesquisa, e que necessita de um controle dos retornos sociais dos investimentos públicos nestas atividades.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

EdUERJ participa de Feira de Editoras Universitárias

A Editora da Uerj é uma das expositoras da décima Feira do Livro Universitário da UFF, que será realizada de 18 a 21 de março de 2014, das 10h às 19h.

O evento será no campus Gragoatá, Bloco D, em Niterói. Além da EdUERJ, participam outras editoras afiliadas à Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU).


Na ocasião, todo livro será oferecido com 50% de desconto.

Certamente, uma boa opção. A dica é procurar o site da ABEU e ver que editoras são afiliadas. Há muita vida inteligente pulsando fora do lugar comum das grandes editoras.

Entre os lançamentos oferecidos pela EdUERJ durante o evento estão os que saíram em 2014, tais como Caminhos da Educação Franco-Brasileira (Orgs: Lia Faria e Ana Luiza Grillo), Estudos sobre interação (Orgs e tradução de Maria Claudia Coelho)
Currículo, Políticas e ação docente (orgs de Maria de Lourdes Rangel e Maria Manuela Alves Garcia), entre outros.

Os lançamentos estão em www.eduerj.uerj.br.

Já, se você quiser saber sobre que editoras estão participando da ABEU e podem participar da Feira, o caminho é por  aqui:


www.abeu.org.br.





 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Estudos sobre interação traz ensaios seminais da sociologia

Relacionamentos humanos permeiam a sociedade e merecem um olhar acurado da psicologia, da psicanálise, assim como de estudiosos de comunicação. Contudo, esse campo não é menos caro às ciências sociais, que se propõem a compreender os mecanismos que regem as interações entre seres humanos no cerne dos diferentes grupos da sociedade. Textos de referência nessa área agora podem ser conferidos no lançamento da EdUERJ, Estudos sobre interação: textos escolhidos, com organização e tradução de Maria Claudia Coelho.

Estudos sobre interação apresenta sete ensaios, com autores clássicos, como Herbert Blumer, Georg Simmel, Everett C. Hughes e Erving Goffman. A eles, somam-se teóricos contemporâneos, como Arlie Russell Hochschild e Jack Katz. Finalizando, um ensaio de Anthony Giddens sobre a obra de Goffman.

São artigos como "A sociedade como interação simbólica", de Herbert Blumer, que tem um papel-chave dentro da antologia, pois permite que se percebam, sob uma ótica mais lúcida, o papel e a proposta do interacionismo dentro do campo da sociologia.

Blumer dedicou-se ao interacionismo
Para exemplificar, enquanto áreas como a psicologia e a psicanálise procuram interpretar as motivações de um indivíduo, o olhar proposto pelo interacionismo é outro. Para Blumer, o enfoque reside em como os indivíduos constroem a ação individual ou coletiva, o que ocorreria por intermédio de uma interpretação das situações com as quais se deparam.

Outro aspecto vital ao interacionismo destacado por Blumer é que o ser humano está sempre enviando mensagens e diretrizes para si mesmo, exercendo uma "autoindicação". E, ainda que isolada, uma pessoa pode interagir com outra. Nesse caso, um exemplo seria o de alguém se embelezando para um encontro. "As pessoas não agem em relação à cultura, à estrutura social, ou coisas semelhantes, elas agem em relação a situações", frisa Blumer. "O individuo observa as coisas, avalia-as, dá-lhes significado e decide agir com base nesse significado", explica no ensaio.

Simmel: pioneiro da sociologia
Outro artigo importante da seleção criteriosa de Maria Claudia Coelho é "A tríade", de Georg Simmel, abordando, em uma interação, "o significado sociológico do terceiro elemento". Vale citar igualmente "As boas pessoas e o trabalho sujo", de Everett C. Hughes, que, ao mirar o holocausto provocado pelos nazistas, faz a seguinte indagação: como esses milhões de pessoas comuns (referindo-se aos civis alemães) puderam viver em meio a tanta crueldade e tantos assassinatos sem que houvesse um levante geral contra isso e contra as pessoas responsáveis? Essa questão não pretende demonizar os alemães, mas propor uma reflexão sobre a participação de cada um de nós em meio a situações-limite.

Em Estudos sobre interação: textos escolhidos, encontra-se uma sociologia interacionista que oferece argumentos para debater tópicos como as dinâmicas de formação de grupos, os estudos das emoções e as tessituras que formam as dimensões subjetiva ou privada da vida individual. O resultado conduz o leitor a uma empreitada pela cercania da sociologia. Assim, a obra torna-se indicada, sobretudo, aos interessados em compreender os fenômenos sociais.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Quem conta a história das ciências?

Agora falando de um dos livros lançados em 2013!

Desenvolvida durante muito tempo à margem dos departamentos de história ou da ação dos historiadores, a história das ciências só começou a apresentar características específicas em um processo iniciado no final da década de 70. As precondições que marcaram o surgimento dos estudo de ciência, as sciencie studies, são o objeto de estudo de Carlos Alvarez Maia, em História das ciências – uma história de historiadores ausentes, lançamento da Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (EdUERJ). 
A princípio, a história das ciências era área ocupada por filósofos e cientistas, o que restringia o entendimento sobre sua natureza. Era necessário compreender as descobertas científicas não somente integrando a linha evolutiva da área, mas percebê-las como parte de um panorama político e social de uma época. Afinal, presumir que os cientistas e pesquisadores não fizessem parte da sociedade tiraria a qualquer credibilidade na construção da história dos saberes científicos.
O livro de Carlos Alvarez Maia remonta a este processo: o período de 1920 a 1970, com as linhas de pensamento que conflitavam, ao se buscar descrever a trajetória da evolução dos saberes científicos. Um exemplo de postura que atrasou o surgimento das sciencie studies: durante bastante tempo, os cientistas, que se dedicavam a esta narrativa da evolução científica, compartilhavam da teoria de que as influências sociais como as ideologias ou crenças contaminariam o saber puro, prejudicando a verdade científica. Contudo, se por um lado, o excesso de ideologias pode deformar uma descoberta ou levar a manipulações, por outro, esta utopia do saber imaculado também traz graves distorções, principalmente quando se deseja organizar a sucessão de fatos em uma narrativa. Qual seria o motivo de a ciência estudar determinados assuntos, se não fossem prioritários em determinadas fases da civilização, o que inclui a facilidade de se conseguir um aporte financeiro?  Então, se não os cientistas, quem deve responder pela história da ciência?
Além de descrever panoramas que podem contribuir para compreender o surgimento dos science studies, o autor também questiona porque no Brasil ainda existe resistência por parte de historiadores em se dedicarem à história da ciência, área que hoje congrega sociólogos e outros cientistas sociais. Baseado em cuidadosa pesquisa, “História das ciências” traz fatos e propõe questões, inserindo-se como uma contribuição para a percepção da ciência como um objeto histórico.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Livro observa influência da África na cultura e na arte brasileiras (RELEASE OFICIAL)

A África está no Brasil diariamente, rotineiramente. É perceptível a onipresença das culturas africanas em práticas cotidianas e a influência que exercem em inúmeras criações, seja no mainstream ou no underground. No hip hop, nos museus, na religião, no artesanato e em muitas outras representações.
Observar de forma minuciosa os caminhos dessas expressões culturais, indo além da questão da etnia, é a proposta de Roberto Conduru em Pérolas negras - primeiros fios: experiências artísticas e culturais nos fluxos entre África e Brasil, lançamento da EdUERJ.
Em 42 ensaios, o autor tece reflexões sobre o legado africano para a sociedade brasileira. São analisadas diferentes expressões culturais, almejando encontrar as Áfricas genuinamente brasileiras que permeiam a cultura e podem se expressar mesmo em artistas que não sejam afrodescendentes. 
Para isso, observa criações como as gravuras de Oswaldo Goeldi, as pinturas de Di cavalcanti, as artes plásticas de Rubem Valentim ou Lygia Pape, os ensaios fotográficos de Mário Cravo Neto e outros exemplos. Além de analisar obras específicas, o autor examina o processo como um todo.
"Na sua maioria, os diálogos com o universo cultural afro no Brasil focam nas religiões de matrizes africanas e na problemática social da negritude", explica Robeto Conduru no capítulo "Entre o ativismo e a macumba - arte e afrodescendência no Brasil contemporâneo".
Com uma abordagem multidisciplinar, com incursões na antropologia, na sociologia e em outras áreas do conhecimento humano, Pérolas negras é um livro indicado sobretudo aos estudiosos da arte, da história da arte e da cultura, com ênfase nas questões da africanidade e da afro-brasilidade.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Começando 2014 com livros na área de educação

A EdUERJ acaba de lançar dois livros que podem ser bem atraentes para os que estudam ou transitam na área da educação.

O primeiro é Currículo, políticas e ação docente, organizado por Maria de Lourdes Rangel Tura e Maria Manuela Alves Garcia. O livro se divide em duas seções, a saber: Abordagem teórico-metodológicas e Políticas de currículo e ação docente. É resultado do Projeto de Intercâmbio e Pesquisa em Políticas de Currículo, financiado pela CAPES. Participaram pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da UERJ.São 14 capítulos, de autores diversos, enfocando as maneiras às vezes até conflitantes de pensar a questão do currículo no âmbito das políticas educacionais.







O outro lançamento é Estratégias Educacionais diferenciadas para alunos com necessidades especiais, organizado por Rosana Glat e Márcia Denise Pletsch. Aqui o foco é a educação inclusiva, tratando principalmente do Plano Educacional Individualizado (PEI), instrumento que começou a ser utilizado na Europa e nos Estados Unidos para facilitar a adaptação dos alunos portadores de necessidades especiais. Entre os temas abordados estão estratégias pedagógicas de inclusão, como o ensino colaborativo e a aprendizagem mediada, e a atuação da escola como parceira no processo que prepara o aluno com deficiência para o mercado de trabalho.


São dois lançamentos que podem interessar a pesquisadores em educação, estudantes de pedagogia ou mesmo a professores de outras áreas que gostem de refletir sobre temas vitais ao cotidiano docente.