quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Lembrando 2013: A ciência do futuro e o futuro da ciência

A Ciência do futuro e futuro da ciência, de Jorge Luiz dos Santos Junior, lançamento da Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(EdUERJ), trata de uma área tão em voga quanto controversa: a nanociência. É um campo de estudos que lida com partículas de tamanho tão reduzido que podem atravessar tecidos como o do corpo humano. Esta tecnologia pode trazer muitos benefícios para a medicina, a informática, o meio ambiente e tantas outras áreas, contudo também se faz acompanhar de riscos, o que implica uma discussão acerca de seu uso, de seus limites éticos, e uma regulamentação especifica.

Algumas questões nortearam o autor. Como tem evoluído a parceria entre a comunidade cientifica e empresas? Quem são os atores sociais que fazem parte das decisões e participam dos comitês que selecionam os projetos aptos a serem financiados? Quais os resultados da política cientifica e brasileira para o desenvolvimento social e ambiental, assim como para a prevenção de riscos?

Ao buscar estas respostas, o pesquisador se propõe a compreender a teia de relações estabelecidas entre programas governamentais, grupos de pesquisa, movimentos sociais e empresas. Para isto, vários procedimentos foram utilizados em sua pesquisa. Por exemplo, foram mapeados e analisados não só os editais de pesquisa de nanociência e nanotecnologia lançados pelo CNPq no período de 2000 a 2010, como também os projetos selecionados.


A ciência do futuro e o futuro da ciência revela lacunas das políticas públicas e uma comunidade de pesquisa da área, que se mostra de caráter pouco multidisciplinar, assim como excessivamente reticente em consideração aos riscos sociais e ambientais.  Com isto, Jorge Luiz dos Santos desenha um quadro político que conta com a participação dos atores sociais externos às redes de pesquisa, e que necessita de um controle dos retornos sociais dos investimentos públicos nestas atividades.