terça-feira, 29 de julho de 2014

Entrevista com Júlia Studart


Aqui uma conversa com Júlia Studart, professora da Unirio, autora do título da Ciranda da Poesia que trata de Nuno Ramos. 


1 - Qual foi o maior desafio de trabalhar com o material literário de Nuno Ramos? (aliás, foi você que o escolheu para tema de sua análise?)

O fato é que eu fazia um pós-doutorado na Unicamp a partir do trabalho do Nuno Ramos, com bolsa de pesquisa financiada pela FAPESP. E antes disso o trabalho dele era muito presente nas minhas pesquisas, nas minhas leituras diárias, porque me interessa muito. Tudo isso o deixou muito perto da mão. Sem contar que, acho, o trabalho do Nuno merece uma apresentação ou uma publicação de mais fôlego a mais gente, construção de acessos, sentidos etc. Foi assim que propus ao Ítalo (Moriconi), coordenador da Ciranda, que topou prontamente. E aí começou o meu impasse e desafio: pensar a complexidade e as modulações do trabalho expandido do Nuno dentro de uma coleção dedicada à poesia. Há mesmo uma impossibilidade de fixá-lo, de reduzi-lo a uma forma, a uma ideia de gênero, de verso etc. O trabalho do Nuno, prioritariamente, muda de forma, não se fixa, está muito mais perto de uma forma-informe, de uma forma fraca, e essa foi sem dúvida uma dificuldade: dar a ver essas modulações por dentro da forma, a potência dessa metamorfose que atravessa tanto os seus livros quanto o seu trabalho como artista visual. Indistintamente.

2 - Anteriormente, você já acompanhava o trabalho de Nuno Ramos?

Já acompanho há algum tempo, desde a publicação do primeiro livro, "Cujo", em 2003 – o meu livro favorito. Livro que tenho, porque ganhei dele, aquela primeira edição numerada, linda e rara, num papel e capas especiais. Talvez depois disso é que tenha ficado mais atenta ao seu trabalho de artes visuais, até que em 2013 transformei tudo isso em pesquisa de pós-doutorado.

3 - E a antologia de versos que é apresentada no título. Como foi este processo de escolha?

Bem, como toda antologia – e acho o termo um tanto problemático, prefiro pensar numa reunião espontânea, apenas –, existe aí muito dos meus interesses, das coisas que mais gosto no trabalho do Nuno entre invenção e algumas insistências, que gosto de chamar de 'imagens intermitentes', que são recorrentes no seu trabalho. Também tentei, minimamente, dar a ver as variações do seu texto até o ainda inédito "Sermões", experiência extremamente distinta dos outros livros.

4 - E como se chegou à inclusão de material de Sermões?

Nuno Ramos possui alguns livros publicados, mas que felizmente não se deixam fixar tão facilmente, principalmente se pensarmos em categorias como a de gênero literário. Já que a ideia da coleção é de dar uma pequena mostra do trabalho com a linha, com o verso, com o poema em prosa e com o pensamento, falei do livro-antologia para o Nuno e perguntei se ele não estava com nada pronto ou se trabalhava em algum projeto novo relacionado à poesia - o que daria outros sentidos tanto para a minha leitura crítica, quanto para a seleção de textos. Foi assim que me disse do seu "Sermões" e que gentilmente me cedeu para leitura e uso de alguns fragmentos. O bacana foi que "Sermões" terminou por provocar uma boa conversa e troca entre nós acerca de outras questões.

5 - Você acredita que existe algum tipo de diferença em relação a autores que se expressem apenas com a literatura para aqueles como Nuno Ramos que utilizam várias formas como a artes plásticas, músicas, etc? (aqui nesta pergunta me refiro ao processo de criação. Por exemplo, se você acha que o artista plástico Nuno Ramos poderia influenciar o escritor Nuno Ramos).

Faz toda a diferença. Por mais que o próprio Nuno procure separar essas duas instâncias [escritor e artista visual, sem contar as suas outras tantas atribuições], seu trabalho é absolutamente impuro, contaminado. Alguns trabalhos de arte incorporam textos seus ou de outros poetas, como Manuel Bandeira e Drummond, e seus livros se armam como grandes instalações movediças, extremamente plásticas, instáveis. Ou seja, Nuno, mesmo sem que o saiba [se é mesmo que não sabe], arma uma grande transparência entre os seus trabalhos, todos eles, e cria uma espécie de “ambiente”, como parece estar definido já em “Cujo”: “A transparência é uma camada que mal se percebe (a não ser pelos reflexos), mas que cria uma espécie de ambiente.” O que dizer de um livro como "Cujo", um misto de instalação, poema, livro de notas e procedimentos de trabalho? Sem contar que Nuno Ramos é um excelente leitor de nossa melhor tradição, carrega uma biblioteca no corpo [o que me interessa muito para o que penso e para o que faço no meu trabalho] e faz com que seu trabalho seja de fato muito singular no meio de toda essa nossa produção muitas vezes incipiente e pobre em invenção.  

quarta-feira, 23 de julho de 2014

EdUERJ lança nova edição de livro sobre trabalhos acadêmicos

É como diz o ditado sobre um lugar terrível cheio de bem intencionados... No meio acadêmico acontece mais o menos assim: o aluno conhece a matéria, mas se enrola na hora de confeccionar um trabalho acadêmico. Isto é muito comum, afinal, são diversas regras e formatações, que variam de acordo com o tipo de trabalho pedido. É justamente por isso que “A redação de trabalhos acadêmicos – Teoria e Prática”, organizado pelos professores Claudio Cezar Henriques e Darcília Simões, chega agora à sua sexta edição, como um dos grandes sucessos da Editora da Uerj.       
Lançado originalmente em 2002, traz ensaios, com uma linguagem simples e concisa, abordando a produção de diferentes tipos de textos universitários (fichamento, resenha, resumo, relatório e, principalmente, monografia). Explica como organizar um projeto de pesquisa, oferece dicas de clareza textual e aponta erros comuns em monografias para que os leitores tomem conhecimento deles e evitem cometê-los.

Um tema abordado em minúcias é a monografia. É o trabalho que exige do universitário uma demonstração de sua capacidade de articular as várias disciplinas aprendidas, expondo com clareza e precisão suas ideias. Também é aquele que mais perturba o aluno pela sua proposta: reunir diferentes conceitos, adaptar a um formato exigido pela academia... e ainda por cima cumprir um prazo. O livro da EdUERJ vai fazer parecer menos impossível.
Outro tópico dos trabalhos acadêmicos, mostrado nesse livro, que aterroriza os estudantes é a diagramação. Em um capítulo à parte, os autores expõem modelos de folha de rosto (e de capa), de folha de exame, de dedicatória, de agradecimento, de epígrafe, de sumário, de referências bibliográficas, entre outros. Cada um desses exemplos de modelos é seguido de explicações e comentários.
Esse livro não se pretende um manual prático: investe também nos aspectos teóricos e incentiva o aluno a uma reflexão sobre as práticas acadêmicas listadas. Se você quer um exemplo, pode ir ao capítulo 3, “A ciência, a pesquisa, o método: implicações científicas”, de Darcília Simões.
Ao destrinchar as práticas acadêmicas, “A redação de trabalhos acadêmicos” acaba por simplifica-las. Com um conteúdo produzido para graduandos e pós-graduandos, oferece aos “alunos perdidos” uma chance de salvação.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

"Metafísica e conhecimento - ensaios sobre Descartes e Espinosa" (RELEASE OFICIAL)


 Uma análise sobre conceitos de pensadores seminais do racionalismo moderno. Metafísica e conhecimento – ensaios sobre Descartes e Espinosa, de Marcos André Gleizer, publicado pela Editora da Uerj, remete a teorias que revolucionaram a filosofia por destacarem a importância de fundamentar a verdade pelo rigor da razão.
   O livro reúne dez ensaios que resultam de pesquisas desenvolvidas por Gleizer durante os últimos vinte anos. O objetivo não é determinar fatores históricos envolvidos na gênese do pensamento de Descartes e Espinosa, mas esclarecer as estruturas conceituais.
   Os capítulos enfocam diversos temas da teoria do conhecimento e da metafísica, investigando teses e problemas epistemológicos formulados por Descartes e Espinosa, em um processo que também se mostra interessante por explicitar a diferença entre os dois autores. O resultado certamente estimulará não só a uma reflexão atual sobre teorias do racionalismo moderno, mas também a uma leitura mais aprofundada dos grandes clássicos da história da filosofia.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Agora

Descobri no blog www.torvelim.blogspot.com, esta poesia de Giovani Giudici, com tradução de Davi Pessoa. Serve bem para esse momento dolorido para nós, torcedores.

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Agora

Agora silêncio como no interior de uma pérola. 
Agora façamos branco. 
Agora nem claridade nem escuridão como no interior de uma pérola. 
Agora façamos com que a cabeça desapareça de nós. 
Mas agora. 
Força.

Agora silêncio porque caso contrário
como no interior de uma pérola não dormimos.
Agora façamos amarelo façamos violeta.
Vemos vermelho, janela fechada dos olhos.
Agora façamos sem.
Agora façamos.

[giovanni giudici] - [trad. davi pessoa]

quarta-feira, 9 de julho de 2014

EdUERJ lança livro sobre história da educação no Rio de Janeiro

Professores de sete instituições de ensino superior do Estado do Rio de Janeiro refletem sobre suas experiências com o ensino da história da educação e a formação de professores. A soma destas narrativas constitui “História da educação no Rio de Janeiro – instituições, saberes e sujeitos”, lançamento da Editora da UERJ. Organizado pelos professores José Gonçalves Gondra, Maria de Lourdes da Silva e Roni Cleber Dias de Menezes, trata-se de um registro dos esforços individuais e coletivos em prol da formação profissional no Rio de Janeiro.

Os autores, docentes da PUC-Rio, UFRJ, UFF, UNIRIO, UENF, UFRRJ e UERJ,  delineiam um painel minucioso sobre as formas como o ensino e a história da educação se efetivaram nas sete instituições em que lecionam. Por consequência, o leitor pode perceber não só as diferenças de metodologias adotadas, mas também os cenários sociopolíticos e os desafios inerentes às práticas pedagógicas no Brasil.

Os estudos apresentados em cada capítulo são provenientes de um ciclo de palestras realizado no campus Maracanã da UERJ. Acompanha o livro, encartado, um dvd com o filme produzido a partir deste evento. Juntos, livro e DVD propiciam, aos pesquisadores da área, subsídios que podem enriquecer o debate sobre a trajetória e desafios do ensino da história da educação na formação docente.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Destaques de 2013: Tessituras do Tempo



A obra trata da recuperação da história brasileira. É um diálogo sobre jesuítas, tribos indígenas, entre outros elementos de um Brasil anterior à Independência associados aos períodos do Primeiro, Segundo Reinados e proclamação da República.
A análise do autor é feita a partir de um material extenso produzido durante todo o século XIX: textos oitocentistas de homens de letras do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, material do Museu Nacional e obras de escritores como Silvio Romero, Capistrano de Abreu e Euclides da Cunha.
Particularmente, o capitulo que mais me atraiu foi o que trouxe a figura de Gonçalves Dias, grande romancista brasileiro, expondo suas ideias sobre as tribos indígenas e as tendências migratórias delas dentro do território brasileiro. O capítulo mostra que, mais do que um dos nossos mais famosos poetas indianistas, Dias foi um formulador de ideias sobre as vivências dessas tribos. Infelizmente, esta relação mais aprofundada entre o escritor e a história do nosso país não é apresentada durante o colegial, restringindo a herança histórica deixada por ele. 

(Thaís Araújo)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Nuno Ramos por Júlia Studart

O novo título da Ciranda da Poesia traz os versos de Nuno Ramos, escritor e artista plástico, analisados pela professora da Escola de Letras da Unirio e também poeta, Júlia Studart. Um dos atrativos deste volume é a inclusão de material de Sermões, trabalho inédito do autor, considerado por Studart, como  "a aventura mais radical do trabalho de Nuno em livro".

Internacionalmente reconhecido na seara da arte plástica, o paulista Nuno Ramos também mostrou sua habilidade com as palavras e conquistou espaço no meio literário. Publicou seis livros e foi agraciado com o prêmio Portugal Telecom de Literatura da edição (2009) pelo seu quarto título, Ó. Os poemas selecionados para este volume da Ciranda foram selecionados nos livros Cujo e Junco, além do já citado Sermões.

  
“Nuno Ramos por Júlia Studart”, é o 23º título e soma-se a uma lista que inclui Ricardo Aleixo por Carlos Augusto Lima, Chacal por Fernanda Medeiros, Carlito Azevedo por Suzana Scramim, Aníbal Cristobo por Manoel Ricardo de Lima e Ingeborg Bachmann por Vera Lins, entre outros.


quarta-feira, 11 de junho de 2014

EdUERJ e o futebol

Futebol é um esporte vibrante, ainda mais com a Copa sendo realizada no Brasil...mas também é um fenômeno que merece e precisa ser discutido. Muitas pessoas se espantam quando descobrem que nem sempre o Brasil foi o país do futebol. Aliás, o célebre escritor Graciliano Ramos previa que se tratava de um modismo estrangeiro que não iria "pegar". Isso lá nos idos do século passado, em 1921.

No entanto, o futebol pegou e tornou-se algo que muitos acreditam "estar no sangue" da população. Um sentimento entre o mítico e o religioso. E influencia desde nossa paisagem geográfica até nossa ordem financeira, passando por questões ligadas à identidade nacional.

A EdUERJ vem publicando livros sobre o tema, como, em 2014, o "Entradas e bandeiras: a conquista do Brasil pelo futebol", de Gilmar Mascarenhas, e "Copas do Mundo: comunicação e identidade cultural no país do futebol", com organização de Ronaldo Helal e Alvaro do Cabo.

Mas é bom lembrar que houve outros. Alguns deles transcendem o futebol e alcançam o esporte como uma área mais ampla, como "O jogo continua: megaeventos esportivos e cidades", organizado por Gilmar Mascarenhas, Glauco Bienenstein e Fernanda Sánchez. Neste livro, de 2011, aborda-se justamente o que tanto se discute agora: quais os efeitos da realização de megaeventos? Como ficam a cidadania e direitos humanos? Este é o viés desta publicação.

Um destaque na área é "Futebol, jornalismo e Ciências Sociais: interações", organizado por Ronaldo Helal  Hugo Lovisolo e Antônio Jorge Gonçalves.   Este observa predominantemente a produção jornalística sobre futebol em determinados recortes temporais. São ensaios  como o que analisa o fenômeno Garrincha, assinado por Tiago Lisboa Bartholo e Antonio Jorge Gonçalves. Há também um artigo dedicado à forma como a imprensa argentina cobriu o fracasso de nossa seleção em 2006, por Ronaldo Helal e Alvaro do Cabo. Este livro é de 2011.

Mas já em 2005, antes mesmo de sermos selecionados como país-anfitrião, a EdUERJ já estava publicando. É o caso de Futebol e sociedade: um olhar transdisciplinar, de Martha Lovisaro e Lecy Consuelo Neves.Este é resultado do primeiro Colóquio de Educação Física e Desportos, apresentado na Uerj. O textos abrangem várias vertentes, que vão de um olhar nos aspectos sociomotores até um olhar que relaciona futebol e sincretismo religioso ou samba. Na realidade, é um livro inclui também outros esportes em sua análise.



Estes são alguns destaques da seleção da EdUERJ nas quatro linhas.

Afinal, torcer apaixonadamente não significa deixar o senso crítico para trás.



terça-feira, 10 de junho de 2014

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Hora de pensar sobre futebol

        Segunda-feira, a EdUERJ lança, na Livraria Folha Seca (Rua do Ouvidor, RJ) dois livros sobre futebol!

No Brasil existe um fenômeno: todos acreditam entender de futebol. Em período de Copa do Mundo então, nem se fala. Sempre há uma opinião formada sobre qualquer assunto e os ânimos muitas vezes se exaltam por uma bola na trave.
Debatem-se acaloradamente convocações, o ritmo de jogo, a forma física dos atletas, as estratégias mais adequadas, as seleções favoritas ao título; projetam-se até possíveis heróis ou culpados, no caso de malogro em uma Copa. Isto é ótimo, mas não seria interessante dar ainda mais substância à discussão?
Dois lançamentos na área editorial podem incentivar um debate mais aprofundado: Copas do Mundo: comunicação e identidade cultural no país do futebol, organizado por Ronaldo Helal e Alvaro do Cabo, e Entradas e bandeiras: a conquista do Brasil pelo futebol, de Gilmar Mascarenhas. Ambos saem pela Editora da Uerj e são indicados para quem gosta do esporte e deseja enxergar esta modalidade esportiva além das conexões sugeridas pelos comerciais de TV.
Copas do Mundo reúne 15 pesquisadores do meio acadêmico, com ensaios que abordam nove Copas do Mundo e uma Copa das Confederações. Os eventos foram selecionados de acordo com o grau de dimensão simbólica que adquiriram na imprensa e na sociedade brasileira, como as Copas conquistadas pelo Brasil.
Entradas e bandeiras oferece um olhar eminentemente geográfico sobre o processo histórico de desenvolvimento do futebol no Brasil. O autor aborda desde os momentos iniciais da adoção do esporte introduzido pelos ingleses até os dias de hoje, em que predominam os efeitos da concentração do poder e do capital sobre o espetáculo.
São livros que, ao falar da história, da cultura e dos mitos do esporte, investigam a realidade e as perspectivas do futebol brasileiro.








sexta-feira, 30 de maio de 2014

Sobre a Coleção Clássicos da Ciência

Texto  de Antonio Augusto Passos Videira sobre a coleção Clássicos da Ciência

O principal objetivo da Coleção Clássicos da Ciência consiste na publicação em português de obras científicas, as quais, devido ao impacto que produziram, foram – como ainda são - consideradas como responsáveis por transformações profundas em seus domínios, fazendo jus ao qualificativo de clássicos. Desse modo, esta Coleção procura contribuir para um maior e melhor conhecimento das origens e etapas de todas as disciplinas científicas, de modo a reforçar o seu ensino. Ainda que podendo ser caracterizada como uma série de história e filosofia da ciência, o público alvo da Coleção não se restringe aos profissionais dessas áreas. Sua meta é alcançar o público em geral.
A Coleção Clássicos da Ciência não privilegia nenhuma área da ciência. Todos os volumes são compostos de uma tradução e de uma introdução à vida e à obra do seu autor.

Iniciada e 2012, até o momento, foram publicados dois volumes na Coleção. O primeiro deles dedicado a Heinrich Hertz (1857-1894), físico alemão; o segundo ao físico e historiador francês Pierre Duhem (1861-1916). Nenhum desses livros conhecia uma versão em língua portuguesa. O próximo volume será dedicado a Ernst Mach (1838-1916), chegando às livrarias ao final deste ano.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Anibal Cristobo e "Ana Cristina Cesar por Marcos Siscar"


Depoimento do poeta Anibal Cristobo sobre a Coleção Ciranda da Poesia:



"Una de las cosas valiosas, que son muchas, que están 

sucediendo en el ámbito de la poesía en Brasil es la colección 

Ciranda da Poesia, coordinada por Italo Moriconi para la 

editorial de la Universidadad Estadual de Rio de Janeiro 

(Eduerj), donde poetas escriben sobre otros poetas y, después 

de ese ensayo, incluyen tambiém algunos poemas de poeta 

elegido a modo de antología personal. Pues bien: acabo de 

terminar de leer o que Marcos Siscar ha escrito sbre Ana 

Cristina César y solo puedo agradecer que exista gente tan 

inteligente como para ser capaz de producir las lecturas y 

análisis que Marcos ha realizado sobre un obra ya 

bastante comentada, y gente inteligente como la de Ciranda, 

entre la que se cuenta y el proprio Marcos, como para idear y activar un proyecto así de 

interessante.

Felicitaciones: ojalá en algún momento pueda traducir ese texto 


de Marcos Siscar, que es verdaderamente maravilloso".


sexta-feira, 23 de maio de 2014

EdUERJ lança Feminilidades






















Na quarta, dia 28 de maio às 19h, na Livraria do Museu da República, a EdUERJ lança "Feminilidades"

Sobre este livro:


Fruto de seminário realizado na UERJ, o livro propõe uma série de discussões heterogêneas e urgentes, analisando também o cenário político-social. Divide-se em cinco eixos: Direitos sexuais, saúde e relações étnico-raciais: perspectivas feministasFemininos trans: os corpos femininos que se constroemProstituição: os corpos como mercadoria ou a sexualidade como atividade econômica?Maternidades: femininos, direitos, desconstruções; eCorpos femininos no limiar de regulações jurídicas. Entre relatos de vida e reflexões acadêmicas, os capítulos instigam uma reflexão sobre questões inerentes ao universo da mulher.

Venha prestigiar!



quinta-feira, 15 de maio de 2014

Em debate: como publicar poesia?

Kriller71: Leminski
Parafraseando Euclides da Cunha e o que ele disse sobre o sertanejo, podemos nos referir àqueles que se aventuram pela seara da edição de poemas. O editor de poesias é antes de tudo um forte, seria uma possível conclusão de quem compareceu ao debate realizado durante o evento “20 anos da EdUERJ – Encontros com Aníbal Cristobo”.

Foi numa terça-feira 13 de maio, na Casa Dirce Cortes, em Botafogo, com o empecilho dos poucos ônibus na rua, devido à greve. Mas isto não significou que não houvesse um público fiel. Havia e, melhor, interessado nos caminhos/futuros da poesia contemporânea. E a mesa de debate? Vamos a ela.

Além do poeta/editor argentino Aníbal Cristobo, contou com Marília Garcia, que trabalhou na Editora 7Letras, os poetas Lucas Matos e Márcio Junqueira, do Blog Bliss não tem Biz, e o editor executivo da EdUERJ, professor  Italo Moriconi. Pelos depoimentos, ficou nítido que publicar poesia não é um convite à morosidade.

Marília Garcia, que trabalhou na Editora 7 Letras e integra a
equipe da Revista Modo de Usar e co, considera o tipo de atividade que “pede o jogo de fazer e desfazer para voltar ao ponto inicial onde existe o espanto”.  Para ela, no mercado das edições independente, “o desafio não é vender, mas editar sem as maneiras de antemão já prontas”. E cita como exemplo de uma ação transgressora, a coleção Moby Dick, artesanal, da Editora 7Letras, feitos com uma impressora doméstica e uma tiragem pequena.
Aníbal Cristobo trouxe sua experiência internacional. Ele enxerga no mercado editorial espanhol um clima conservador nem sempre propício para a arte. E cita concursos realizados pelo governo com temas tolos, como poesias sobre touros, o que despertou uma reação entre o riso e a estupefação. “O mercado editorial espanhol não está acompanhando o que está acontecendo”, declarou. Por conta da falta de visão das grandes editoras, Cristobo passou na frente e acabou conseguindo editar uma antologia de Paulo Leminski. “Achavam que era um autor que só interessaria ao Brasil”. Cristobo também criticou o fato de que não se publica nada sem fazer previamente um projeto para descobrir a viabilidade comercial da iniciativa. “Eu não quero pensar em termos de produto, mas como um agente cultural. A ideia não é esconder a fragilidade do projeto, mas apresenta-la, não como carência, mas como característica”. Sua ação de publicar e distribuir o material da Editora Kriller71  é “fazer um tipo de guerrilha e oferecer outra coisa”, diz referindo-se ao cardápio mais tradicional das grandes editoras. A Kriller71 já publicou na Espanha autores como Marcos Siscar, Arnaldo Antunes e outros.

O professor Italo Moriconi, em seu depoimento, valorizou a crítica literária. Para ele, a leitura que fez, na adolescência, de “Metalinguagem e outras metas”, de Haroldo de Campos, foi uma experiência fundamental para sua formação. Também falou da alegria de publicar, pela EdUERJ, a coleção Ciranda da Poesia. Moriconi acredita que o fato de ser editado por uma editora universitária confere uma força ainda maior ao título. Para ele, uma coleção que veio para ficar, em consonância com a tradição da própria Uerj de valorizar a poesia, o que sempre aconteceu por meio de ações do Departamento Cultural ou do Instituto de Letras.

Por fim, aventou com a possibilidade de disponibilizar alguns títulos da coleção, que já estão esgotados, em formato de e-book, o que significa novidades à vista.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

O futebol sob o prisma da geografia histórica (RELEASE OFICIAL)

Um estudo do futebol sob o prisma da geografia histórica, englobando o período que vai desde o fim do século XIX até o ano em vigor, incluindo a realização da Copa do Mundo no Brasil. Esta é a proposta do professor e geógrafo Gilmar Mascarenhas em seu novo livro, “Entradas e Bandeiras: a conquista do Brasil pelo futebol” lançado pela EdUERJ.
                                                                                                                
A primeira parte do livro enfoca a importância da Inglaterra na difusão do futebol. Mascarenhas observa como os emigrantes ingleses, ao praticarem o esporte em terras estrangeiras, acabaram por divulgá-lo em escala mundial. Em seguida, aprofunda-se no caso Brasil, explicitando a forma negativa como o futebol foi inicialmente recebido por alguns setores do país, e como se deu a superação dessas resistências.

Assim, o autor oferece um panorama do desenvolvimento do esporte no país: da prática do esporte pelas elites, que o absorveram primeiro, até a gradual aceitação pelas classes populares. Ele trata da construção dos grandes estádios, como o Maracanã, e da realização da Copa de 50, indo além do enfoque Rio-São Paulo. A popularização do futebol é defendida com a perspectiva de que foi um elemento primordial na política de integração nacional.

Com um olhar no presente, Marcarenhas debate sobre o novo desafio que o país enfrentará agora: ser anfitrião de mais uma Copa do Mundo. Junto a isso, os fatores que a acompanham como o investimento em estádios e cidades-sede, o encarecimento do preço dos ingressos, a imposição de normas pela FIFA, as manifestações durante os jogos, entre outros.

Por fim, “Entradas e Bandeiras a conquista do Brasil pelo futebol” apresenta a expansão do esporte por todo o território e como ele se tornou mais do que um esporte para a nação, debatendo questões importantes como a metropolização do futebol, a concentração do capital em determinadas regiões e os caminhos sugeridos pela globalização.

(Release: Thais de Souza Araújo)

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sobre os 20 Anos de EdUERJ – ENCONTROS COM ANÍBAL CRISTOBO -

 Segue este texto de autoria de Lucas Matos, do Blog Bliss não tem Bis, 

O evento marca a celebração dos 20 anos de existência da Editora Universitária da UERJ, e é fruto de uma ação coletiva que integra a própria Editora, a Casa de Leitura Dirce Côrtes Riedel e o coletivo de artistas e editores de poesia Bliss Não Tem Bis (Clarissa Freitas, Lucas Matos, Marcio Junqueira e Thiago Gallego). A editora tem se destacado, entre outros motivos, por sua atuação voltada para a crítica e antologia de poesia, através da reconhecida coleção Ciranda da poesia. O objetivo é comemorar a data através do aprofundamento de reflexões que possibilitem o diálogo acerca do contexto cultural da cidade.

Como um dos convidados para destacar a partilha plural do momento, foi escolhido o poeta e editor da Kriller71 Ediciones, Aníbal Cristobo, argentino que atualmente reside em Barcelona e que mantém uma atuação constante nos debates e na tradução da poesia brasileira contemporânea para o castelhano. Trata-se da promoção de um reencontro de Aníbal com a cidade, onde morou de meados da décad
a de 90 até o início dos anos 2000, e viveu desde apresentações performáticas, como a dos Monges Acrobatas, junto com Carlito Azevedo, Felipe Nepomuceno e Leonardo Martinelli, até o lançamento de suas primeiras publicações.

Com editores e poetas de igual destaque na atuação na cena carioca, como Ítalo Moriconi e Marília Garica, e o coletivo Bliss Não Tem Bis (Clarissa Freitas, Lucas Matos, Marcio Junqueira e Thiago Gallego) serão promovidos encontros marcados pelo questionamento da edição de poesia na contemporaneidade, e pela leitura de poesia e performance poética. Serão realizadas duas noites de eventos, na semana de Maio de 12 a 16, na Casa de Leitura Dirce Côrtes Riedel.

Na terça-feira, dia 13/05/2014, a partir das 19h30m, Aníbal Cristobo (Kriller71 ediciones) se reúne à Marília Garcia (Modo de Usar e Co.) e Ítalo Moriconi (Ciranda da Poesia/EdUERJ) para debater Edição de poesia hoje: modos de fazer e de desfazer. A mediação fica a cargo de Lucas Matos e Marcio Junqueira (ambos da revista-disco de poesia e do blog Bliss Não Tem Bis).

Na quinta-feira, dia 15/05/2014, no mesmo horário das 19h30m, ocorre uma noite de Leituras de Poesia/Performances poéticas com apresentações de Aníbal Cristobo, Clarissa Freitas, Lucas Matos, Marcio Junqueira, Marília Garcia & Thiago Gallego. Nesse dia, estará disponível para compra o novo livro de Aníbal Cristobo, editado pela 7letras, Minha vida como bactéria, publicação bilíngue, com tradução para o português por Marília Garcia e Luciana di Leone.


A celebração dos 20 anos da EdUERJ evidencia a consciência histórica e política da atuação de uma editora universitária voltada para o aprofundamento de reflexões que permitam uma intervenção ampla no contexto cultural da cidade

terça-feira, 6 de maio de 2014

Poeta Aníbal Cristobo em evento comemorativo de 20 anos da EdUERJ

A Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (EdUERJ) e a Casa de Leitura Dirce Cortes Riedel promovem, nos dias 13 e 15 de maio, o evento "20 anos de EdUERJ: Encontros com Aníbal Cristobo".
Será a oportunidade de o público do Rio conhecer pessoalmente o poeta nascido em Buenos Aires e autor de livros como Teste da Iguana (Editora 7Letras) e Krill (Editora Tsé Tsé), muitos deles em edições bílingues, oferecendo um desdobramento do verso em castelhano e português.
A programação do evento inclui debates e performances poéticas, a ser realizados na Casa de Leitura Dirce Cortes Riedel, em Botafogo.
A primeira atividade será no dia 13, terça-feira, às 19h30. É o debate Edição de Poesia Hoje: modos de fazer e desfazer, com o Editor Executivo da EdUerj, professor Italo Moriconi e os poetas Marília Garcia, Lucas Matos e Márcio Junqueira, redatores do blog Bliss não tem Bis. A conversa, que também contará com Cristobo na mesa-redonda, enfocará as tendências poéticas atuais, como a de criar obras novas a partir de colagens ou de reorganização de materiais já existentes.

Na quinta-feira, 15 de maio, às 19h30, Cristobo terá a companhia dos poetas Clarissa Freitas, Thiago Gallego, Lucas Matos e Marcio Junqueira. Será uma noite dedicada à leitura de poesia e performances poéticas.

Para quem quiser conhecer melhor este poeta argentino, atual morador de Barcelona, uma dica é conferir o volume da Ciranda da Poesia lançado pela EdUERJ em 2013 , "Aníbal Cristobo por Manoel Ricardo de Lima".




A outra dica é conferir "20 anos de EdUERJ: Encontros com Aníbal Cristobo". A entrada é franca.



A Casa de Leitura Dirce Cortes Riedel fica na Rua das Palmeiras 82, em Botafogo.





Blog Bliss não tem Bis: http://blissnaotembis.blogspot.com.br

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Livro discute identidade e futebol (RELEASE OFICIAL)

Qual o papel do futebol na autoimagem do brasileiro? Desde quando se atribui à seleção brasileira a missão de “defesa da honra nacional”? Por que se aprende desde criança que o Brasil é “o país do futebol”?
Investigar qualidades supostamente inatas do Brasil não seria possível sem analisar os momentos em que a Seleção Brasileira consolidou-se como paixão comum de todas as classes sociais. Esse olhar crítico é a proposta de Copas do Mundo: comunicação e identidade cultural no país do futebol, organizado pelos professores Ronaldo Helal e Alvaro do Cabo.

O lançamento da EdUERJ reúne 15 pesquisadores que apresentam ensaios sobre nove Copas do Mundo e uma Copa das Confederações, eventos selecionados principalmente pelo critério da dimensão simbólica de seus resultados na imprensa e na sociedade brasileira. Cada capítulo enfoca um período importante de nossa memória esportiva, incluindo, claro, a derrota espetacular na Copa de 1950 e as cinco Copas do Mundo conquistadas pelo Brasil.
Ao analisar diferentes recortes temporais, o livro também trata do legado de cronistas como João Saldanha, Armando Nogueira, Nelson Rodrigues e ainda Gilberto Freyre. Este, com a crônica “Foot-ball mulato” – publicada dois dias antes da final da Copa de 1938 –, tornou-se o primeiro intelectual a relacionar o estilo de jogar da seleção brasileira aos traços culturais nacionais.
Copas do Mundo: comunicação e identidade cultural no país do futebol oferece uma viagem no tempo e uma reflexão sobre nossa memória. Recomendado para os estudiosos de comunicação, sociologia ou história. E para todos que desejam entender o futebol além das quatro linhas.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Perdemos Ernesto Laclau

Morreu neste domingo, 13 de abril, um dos grandes teóricos políticos da atualidade: Ernesto Laclau. Em 2011, a EdUERJ teve a honra de publicar o seu clássico Emancipação e diferença, graças à iniciativa da professora Alice Casimiro, da Faculdade de Educação.

Para o professor Italo Moriconi, editor executivo da EdUERJ, Laclau teve o mérito de combinar a herança do marxismo gramsciano com as teorias radicais contemporâneas da "diferença", desenvolvendo uma perspectiva progressista e democrática frutífera para pensar as condições contemporâneas.






Mais informações sobre o falecimento de Laclau podem ser encontrados no link abaixo:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/04/1440261-morre-aos-78-o-argentino-ernesto-laclau-ideologo-do-governo-kirchner.shtml

Resenha de Emancipação e Diferença:

http://revistaestudospoliticos.com/wp-content/uploads/2012/04/4p130-135.pdf

Entrevista com Laclau (com citação ao livro Emancipação e diferença):

http://ligajus.blogspot.com.br/2013/12/entrevista-ernesto-laclau.html

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Lançamento do Livro no dia 10 de abril.




Lançamento do livro organizado pelas professoras Rosana Glat e Márcia Denise Pletsch. Abaixo, o resumo de "Estratégias Educacionais Diferenciadas para alunos com necessidades especiais" que está no site da EdUERJ.

"Reflete sobre aspectos teóricos e práticos no campo da educação inclusiva. Os capítulos abordam principalmente a utilização e a aplicabilidade do Plano Educacional Individualizado (PEI), instrumento empregado inicialmente em redes escolares na Europa e nos Estados Unidos, com a finalidade de promover o desenvolvimento e a ambientação de alunos que necessitem de cuidados especiais. Entre os temas abordados, estão estratégias pedagógicas de inclusão, como o ensino colaborativo e a aprendizagem mediada, e a atuação da escola como parceira no processo de integração do aluno com deficiência ao mercado de trabalho".


A postagem anterior é uma entrevista com a professora Rosana Glat, abordando os temas do livro.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Entrevista: Professora Rosana Glat

A Editora da Uerj acaba de lançar “Estratégias educacionais diferenciadas para alunos com necessidades especiais”, com organização de Rosana Glat e Márcia Denise Pletsch. Professora e Diretora da Faculdade de Educação da Uerj, Rosana Glat conversou com o nosso blog sobre este lançamento.

Gostaria que falasse para o leitor do Blog sobre o livro “Estratégias diferenciadas ...”. Quais são os temas abordados?

Este livro é o resultado de uma série de pesquisas desenvolvidas pelo Programa de Pós-graduação da Uerj, o Proped. Os artigos abordam estratégias diferenciadas para a aprendizagem e a inclusão de pessoas com deficiências e outras necessidades especiais.
Alguns assuntos do livro:  Plano educacional individualizado (PEI), ensino colaborativo, comunicação alternativa...Não discutimos somente sobre a escola, também sobre a inserção no mercado de trabalho, habilidades sociais e formação de professores, etc.
Como surgiu a ideia de publicar o livro?

Esta publicação é uma das ações do Projeto Formação inicial e continuada de professores comprometidos com a inclusão educacional do aluno com deficiência: do ensino fundamental à universidade”, agraciado pelo Programa de Apoio à Educação Especial da CAPES (PROESP/CAPES), sob coordenação geral da Profª. Drª Leila Regina d´Oliveira de Paula Nunes, uma das autoras do livro. É um projeto de quatro anos, que, além de publicações, promove seminários, e também financia bolsas de mestrado e doutorado. Na hora de publicar, a EdUERJ tornou-se uma opção por ser a editora da casa. Vale ressaltar que todos os autores são professores, alunos ou ex-alunos da pós-graduação ou bolsistas de iniciação científica da Uerj.

 Falando sobre o tema, qual seria a principal dificuldade na implementação de estratégias educacionais inclusivas?

A primeira dificuldade é a de adquirir a compreensão de que alunos com necessidades educacionais especiais precisam destas estratégias, não podendo acompanhar as aulas de qualquer jeito. Precisam de uma atenção diferenciada. Estas estratégias significam técnicas de ensino e aprendizagem, adaptação dos recursos disponíveis e do próprio currículo, assim como uma capacitação de professores. O nosso livro enfatiza muito o suporte da educação especial, sobretudo o trabalho colaborativo com os professores da turma comum. É preciso trabalhar junto o profissional de suporte, por exemplo, mediador ou professor da sala de recursos e o professor regente. Este não pode deixar de ser professor do aluno, ou seja, não pode simplesmente entregar o trabalho para o especialista ou mediador.
Também é preciso frisar que a inclusão em uma classe comum nem sempre é a melhor opção para todos os alunos. A tendência à generalização é complicada. Alguns alunos podem se desenvolver melhor em ambientes mais estruturados, como por exemplo, em classes especiais – desde que essas, de fato, promovam sua aprendizagem e futura inclusão.

Nesse aspecto, você acha que precisamos evoluir muito em relação aos países mais desenvolvidos?

A evolução não é em termos de legislação, que é muito boa, mas na implementação das políticas.
Nos EUA existe um plano de longo e médio prazo para cada estudante, o Plano de Educação Individualizada (PEI). Este plano é elaborado por uma equipe da escola que inclui os pais, dependendo da faixa etária, o próprio aluno, e outros profissionais que o atendem, por exemplo, psicólogo, fonoaudiólogo, etc. O PEI é feito todos anos, analisando o que é mais importante para o aluno, adaptando currículo de acordo com sua realidade. O PEI é útil não só em casos de deficiência, mas por exemplo, também com alunos com altas habilidades.

Imagino que seja mais fácil para um aluno portador de necessidades especiais ser educado em uma escola onde o ensino seja ministrado com mais zelo.  E nem sempre um ensino de qualidade é acessível. Está correto pensar assim?

Não necessariamente.  Hoje o município do Rio possui algumas escolas que são melhores para matricular uma pessoa com deficiência do que escolas particulares.

Para terminar, professora, a quem você recomenda o livro “Estratégias educacionais diferenciadas para alunos com necessidades especiais”?

O livro é voltado para pesquisadores e estudantes de graduação e pós graduação, em pedagogia, psicologia, e outras licenciaturas. Mas é indicado não só para aqueles que circulam na academia, mas para professores e demais profissionais da saúde e educação.

O Blog da Editora da Uerj agradece a sua entrevista!