segunda-feira, 6 de abril de 2015

Valorizando os autores clássicos

Hoje ouvimos recorrentemente que a linguagem de autores clássicos como Machado de Assis, se confrontada com as frases curtas e pensamento fragmentado da internet, demonstra-se de difícil compreensão para um estudante. Então não resisto a formular uma questão: por que há poucas décadas os estudantes se debruçavam sobre os grandes romances brasileiros e hoje os docentes ficam apreensivos com a resposta dos alunos a esse tipo de tarefa? 
Será que diante das mudanças que acompanharam o mundo via internet, não há mais a possibilidade de um professor incutir em seu o aluno o apreço por uma literatura de qualidade?

Infelizmente aqueles que hoje se iniciam como leitores nem sempre encontram um dedicado professor que saiba indicar uma leitura apropriada de muitos dos principais escritores brasileiros.
É possível que falte tempo e paciência para que os clássicos sejam apresentados de forma gradual ao estudante. Um caminho seria começar por textos que mantenham a qualidade, e, ao mesmo tempo, ofereçam uma linguagem mais acessível, de forma a propor uma leitura conjunta de alunos e professores na sala de aula.


Esta é a proposta de “Machado para jovens leitores”, que traz escritos selecionados pelos professores Ana Chiara, Antonio Carlos Secchin, Denise Brasil e Ivo Barbieri. O conteúdo reúne poemas, contos, crônicas e trechos de romances. Inclui um capítulo com a descrição feita por Machado para alguns de seus célebres personagens como Dona Plácida, de Memórias póstumas de Brás Cubas, ou José Dias, de Dom Casmurro. Em destaque, vale a pena conferir “A um bruxo, com amor”, poema concebido pelo mestre Carlos Drummond de Andrade, no qual cita vários tipos machadianos.

Na mesma linha está “Euclides para jovens leitores”, organizado pelos professores Ivo Barbieri, Maria Aparecida Andrade Salgueiro e Nelson Rodrigues Filho. A publicação compila textos do autor de “Os sertões”. Reúne não só trechos do seu romance mais conhecido, mas também ensaios jornalísticos e políticos, além de cartas que permitem perceber mais da personalidade do escritor.


Machado de Assis e Euclides da Cunha podem ser reescritos, adaptados ou copiados. No entanto, alcançaram o respeito justamente pela qualidade da obra. E como essas criações não podem ser melhoradas, por que não ler os originais?

por R.Zentgraf