segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Toda a magnitude da Mata Atlântica



     Este aqui é um belíssimo registro fotográfico da diversidade da Mata Atlântica, acompanhado de textos objetivos, com nomes e informações sobre a fauna e a flora.

    A fotografia de Antonio Carlos de Freitas ressalta o esplendor de todos os componentes ambientais. O fotógrafo  - que também é físico - teve a sensibilidade (e as lentes) que nos permite alcançar uma magnitude só disponível aos que visitaram o local.

  Afinal, temos uma questão interessante. A dimensão artística da natureza:

(   ) - Está em nossos olhos (como alguém disse: "a beleza está nos olhos de quem vê"), 

(   ) - é fruto de uma câmera habilidosa ou 

(   ) - trata-se de uma elegância inerente aos seres vivos fotografados

(   ) - A soma de todas as respostas anteriores


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

As facetas culturais de um corpo

Compreender a dimensão simbólica e cultural do corpo, tendo o espaço urbano e contemporâneo como palco privilegiado. Esta é a proposta de O corpo representado – mídia, arte e produção de sentidos (EdUERJ), organizado por Denise da Costa Oliveira Siqueira. Em busca dos valores que a sociedade atribui à engrenagem física do ser humano, os ensaios nos levam a uma trilha composta por cinema, histórias em quadrinhos, videoclipes, revistas e dança contemporânea, entre outros.

Na primeira parte, “Corpo feminino e mídia”, são discutidas representações da mulher, predominantemente a jovem, nos formatos midiáticos, como videoclipes, cartões-postais de praias ou peças publicitárias. Na segunda, o enfoque é a dança contemporânea como expressão artística que permite ao corpo provocar reflexão e contestação, recorrendo mesmo ao grotesco para esses fins. O último segmento, “Corpo, representações e relações de poder”, observa os corpos superpoderosos dos heróis dos quadrinhos, mas também o corpo fragilizado por uma deficiência. Nessa parte, há ainda um capítulo sobre o marketing político dos candidatos provenientes da cultura funk.



Com este enfoque amplo, O corpo representado torna-se uma leitura indicada tanto para quem estuda o corpo e sua representação midiática quanto para os que procuram compreendê-lo como objeto da arte. Assim, pode interessar sobretudo aos pesquisadores de ciências sociais, artes e comunicação, mas também a quem deseja aprofundar o debate sobre a cultura nos dias de hoje.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Os valores do corpo

As mulheres que aparecem, sedutoras, em campanhas publicitárias, e os super-heróis dos quadrinhos com seus poderes inimagináveis...o que teriam estes personagens em comum? A resposta está no simbolismo que é atribuído às suas aparências, ícones da indústria cultural.
O corpo que aparece na televisão, no cinema, nos quadrinhos, tangenciando um ideal de perfeição, eventualmente estereotipados, nos fazendo sentir desconfortáveis em relação à nossa própria imagem. O corpo artístico em cena, na dança contemporânea, como objeto da arte.
Afinal, o que a mídia e a arte dizem a respeito de nossos corpos? E o que nossos corpos estão dizendo de nós mesmos quando escolhemos modifica-los?
O corphipertrofia. Com modificaçificaçira Siqueira. O lançamento da Editora da Uerjr sobre os valO corpo representado – mídia, arte e produção de sentidos, organizado por Denise da Costa Oliveira Siqueira, lançamento da EdUerj, é uma proposta de reflexão sobre o tema. E é sintomático que ao investigar a representação do corpo nas artes e na mídia, os ensaios falam principalmente dos valores da nossa cultura.

Em breve, vamos colocar o release deste livro por aqui, com mais detalhes sobre os capítulos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Um debate que une dois países (RELEASE OFICIAL)

         Atravessar fronteiras, contribuindo com o debate de ideias e a criação de alternativas para os problemas cruciais da área educacional. Esta é a proposta de “Diálogos curriculares entre Brasil e México”, lançamento da EdUERJ, organizado pelas professoras Alice Casimiro Lopes e Alicia de Alba.
        A obra salienta as diferenças existentes entre os dois países latino-americanos. No Brasil, o sentido do currículo é intrinsecamente associado à discussão sobre a educação básica. Já, no México, há pouca atuação de pesquisadores nas políticas, nas práticas e na formação de professores desse nível, o que torna o pensamento curricular fortemente vinculado ao ensino superior. Esta e outras diferenças são enfatizadas pela proposta de leitura.
       
Os ensaios abordam temas como a organização curricular, a avaliação, a formação dos professores, a cultura escolar, a pesquisa e a pós-graduação, entre outros. Cada assunto se divide em dois capítulos, escritos separadamente por professores brasileiros e mexicanos, o que propicia ao leitor a possibilidade de comparação das duas realidades.
         “Diálogos curriculares entre Brasil e México” é indicado para aqueles que se interessam pela área da educação com enfoque na América Latina.  O livro faz parte da série Pesquisa em Educação.

(Thais de Souza Araújo)


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O bullying sob outra perspectiva


Como estudiosos de diversos países conceituam o bullying? Quais são as propostas para o combate ao bullying no Brasil? Para compreender questões como essas, é necessário certo distanciamento dos tons mais emocionais que nos ligam às situações de injustiça, e partir para uma análise mais ampla.

Essa é a proposta de “Bullying e cultura de paz no advento da nova ordem econômica”, de Leila Maria Torraca de Brito, lançamento da Editora da Uerj. Sob o prisma reflexivo das ciências humanas, a autora não se propõe a observar o bullying baseada em casos específicos ou tampouco procurar as motivações de quem se envolveu em casos assim. A meta é construir uma análise do impacto deste comportamento (ou da gama de atitudes que configuram o bullying) em nosso mundo contemporâneo, mais precisamente na maneira como a sociedade reage, ao elaborar reflexões, conceitos e leis acerca do problema.

Neste contexto, um capítulo enfoca as diferenças com que teóricos definem este fenômeno e levanta os problemas relativos a estas tentativas de conceituação, como as dificuldades que surgem quando se tenta delimitar a constância com que um comportamento repetitivo caracterizaria um episódio de bullying. 

O lançamento também traz, como destaques, uma reflexão sobre o que tem se denominado como cultura de paz e uma minuciosa pesquisa dos projetos de lei apresentados sobre o bullying, evidenciando a tendência da linha de pensamento de que os conflitos sociais devam ser resolvidos pela via jurídico-criminal, mesmo os que ocorrem dentro dos muros da escola.

O livro da professora Leila Maria Torraca de Brito, fruto de uma pesquisa de pós-doutorado pela Puc-MG, torna-se uma indicação para professores e educadores e também para aqueles que desejam entender um tema que tanto revela sobre o homem moderno.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Adib Jatene entrevistado na Coleção Pensamento Contemporâneo

Referência mundial em cirurgia cardíaca e nos campos do ensino, da cura e prevenção de doenças, Adib Jatene é o entrevistado no novo título da coleção Pensamento Contemporâneo, publicado pela EdUERJ.

Durante a entrevista conduzida pelos professores Eliete Bouskela e Maria Andréa Loyola, em tom coloquial, Jatene fala de sua infância, da luta de sua mãe pela educação dos filhos, e de etapas de sua vida profissional. Comenta a sua inspiração para construir o primeiro coração-pulmão artificial utilizado em cirurgias cardíacas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Além disso, não evita abordar aspectos relativos ao desenvolvimento do país e também episódios de sua atuação como ministro da Saúde.

Ao final da entrevista, os médicos Henrique Murad e Milton Meier, membros titulares da Academia Nacional de Medicina, comentam a trajetória e a singular contribuição de Adib Jatene à medicina.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Encontros de Filosofia e Poesia

Segue abaixo o cartaz com a programação na Casa Dirce. É um evento bem atraente para aqueles que se interessam por poesia, filosofia, literatura e artes em geral!

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Livro analisa ascensão de movimentos sociais na Bolívia


Seguem detalhes sobre o livro que será lançado nesta sexta-feira 22 de agosto na Livraria do Museu da República.

Nas últimas três décadas, a Bolívia sofreu profundas modificações em sua sociedade civil, fato marcadamente por influência da ascensão de movimentos sociais. Esta efervescência culminou com a eleição pela primeira vez de um presidente indígena, Evo Moralez, que assumiu em 2006, e demonstrou um rearranjo nas forças no país.
Compreender os novos atores sociais e o impacto destas ideias na relação entre o Estado e a Sociedade é a proposta de “Reemergência de identidades étnicas na modernidade – movimentos sociais e Estado na Bolívia Contemporânea”, da professora Alice Soares Guimarães, lançamento da Editora da Uerj.
Em sua pesquisa, a autora reconstrói a trajetória de interação entre as coletividades étnicas e o Estado boliviano ao longo da história republicana, analisando as mudanças no âmbito destas relações. Para isso, examina um dos principais movimentos sociais do país, o dos plantadores de coca do Trópico de Cochabamba, considerado na literatura como um dos mais bem sucedidos da América Latina atual.
O livro é uma indicação de estudo para os pesquisadores das relações entre Estado e sociedade na modernidade, assim como para aqueles que se dedicam à pesquisa de questões relativas à América Latina.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Lançamento de "Reemergências"



Nesta sexta-feira, a EdUerj lança mais um livro: "A reemergência de identidades étnicas na modernidade: movimentos sociais e Estado na Bolívia contemporânea" de Alice Soares Guimarães. A obra observa os processos e dinâmicas, no contexto da sociedade boliviana, que levaram ao protagonismo os movimentos sociais indígenas e examina um dos principais movimentos sociais da Bolívia contemporânea, o dos plantadores de coca do Trópico de Cochabamba, como um dos mais exitosos da América Latina atual. 


É amanhã! Não deixe de comparecer!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Beatriz Damasceno em entrevista sobre Lúcio Cardoso

Lúcio Cardoso escreveu romances, peças, poesias e se expressou por meio das artes plásticas. Neste mês em que se comemora o seu aniversário de nascimento (ocorrido em 14 de agosto de 1912), a professora e doutora em letras pela PUC - Rio Beatriz Damasceno conversou com o nosso blog sobre “Lúcio Cardoso em corpo e escrita”, livro que lançou pela Editora da Uerj em 2012.

Professora, como surgiu o seu interesse pelo trabalho de Lúcio Cardoso?

O primeiro livro que li do Lúcio Cardoso foi a novela Inácio, nos meus tempos de faculdade, aqui na Uerj, e fiquei admirada com a densidade do texto. Lúcio Cardoso é um grande escritor, à medida que conhecemos seu trabalho, nós nos impressionamos com a construção dos personagens, com a estrutura narrativa.  
Além disso, o meu interesse de pesquisa é a relação entre a escrita e a experiência e Lúcio Cardoso manteve diário durante anos e o escrevia para publicação, tudo isso me levou ao estudo de sua trajetória como escritor.

Pensando neste mês em que se comemora o aniversário de nascimento do escritor, você acredita que o trabalho de Lúcio Cardoso é devidamente reconhecido?


Existe o reconhecimento da qualidade de Lúcio Cardoso como um grande romancista. Crônica da casa assassinada, por exemplo, está entre os clássicos de nossa literatura, já teve adaptação para o cinema e o teatro. Entretanto, o nome do escritor não tem uma repercussão midiática ou tão popular. Creio que a apresentação da obra do Lúcio Cardoso nas universidades e a boa divulgação dos nossos escritores, em geral, é sempre um presente maior para o leitor, mais do que para o próprio autor. Por isso, um espaço como este de vocês é tão importante.

Um fato fascinante na vida de Lúcio Cardoso é que ele não deixou suas atividades criativas serem interrompidas pelo derrame que sofreu, permaneceu criando mesmo com suas limitações, investindo mais nas artes plásticas.  O seu livro cobre bastante este período depois do AVC. Gostaria que você falasse do processo de pesquisa, já que “Lúcio Cardoso em corpo e escrita” traz muitas fotos/reproduções desta fase.

Beatriz Damasceno: pesquisa sobre escrita de Lúcio Cardoso
No meu livro, procurei dar sentido aos anos em que o escritor conviveu com o AVC, pois todas as referências biográficas davam um salto nesse tempo: em 1962, o escritor teve um acidente vascular cerebral que o impossibilitou de falar e escrever e morreu em 1968. Quis conhecer como Lúcio viveu esse tempo, já que era extremamente ligado à escrita, e encontrei uma série de pastas, blocos, cadernos, cadernetas que traziam todo um processo de busca pela reabilitação. E, principalmente, uma escrita de experiências diárias, à maneira própria do corpo. As reproduções desse material servem também para que o leitor observe o quanto o escritor mantém a cumplicidade com a escrita, no período da doença. Posso dizer que o meu processo de pesquisa foi muito emocionante.

Hoje em dia vem se tornando comum surgirem artistas que transitam em mais de uma forma de arte, e vemos classificações como “artista multimídia”. De certa forma, Lúcio Cardoso já antecipava esta tendência?

Lúcio Cardoso era múltiplo, tinha interesses diversos, transitou por muitas áreas em toda a sua carreira, como, por exemplo, teatro e cinema. Também já gostava de pintar, desenhar. Entretanto, conseguiu reconhecimento como romancista. Mas acredito que a pintura, ofício após o AVC, foi para ele uma nova forma de escrita. Numa folha de bloco que está reproduzida no livro, Lúcio escreve aos amigos, após a abertura de sua exposição de quadros e inúmeros elogios: “É, sou escritor.”

Esta luta pela arte como uma necessidade vital, empreendida por Lúcio Cardoso, contrasta muito com a forma com que muitos lidam com a arte nos dias de hoje, com o prisma do descartável, do instantâneo, apenas do viés mercadológico.  Neste aspecto, acredito que seu livro pode ser interessante a professores e estudantes não só de letras, mas de artes em geral...

O que acho interessante na personalidade desse artista, quando você se refere ao interesse mercadológico, é que Lúcio Cardoso fez praticamente um trabalho às avessas. Num momento em que o romance chamado regionalista estava em voga, que escrever sobre a realidade social era uma forma de alcançar um reconhecimento, Lúcio Cardoso nega essa opção e rejeita qualquer análise de seus livros a partir dessa ótica. Em entrevista, afirma: “A minha concepção de romance vai de encontro ao da maioria dos romancistas modernos, que preconizam uma arte da observação pura, a fotografia da realidade... A verdade está no subsolo.”

Acredito que o livro traz uma reflexão sobre a arte que não espera, que é uma marca territorial, matéria de expressão. Lúcio Cardoso, nesse período, dentro de todas as limitações, não teria interrompido seu trabalho de diarista, por exemplo, mas o apresenta de maneira radical, inscrevendo as percepções, movimentos e afecções do corpo na composição da escrita.

Qual o maior legado de Lúcio Cardoso?

Lúcio Cardoso nos deixa a relação de dignidade do artista com sua arte. Experimentou a morte pela escrita e por ela também será incapaz de morrer.


O Blog agradece a sua entrevista!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Livro discute criações de Manuel Zapata Olivella



Um autor que é referência para o estudo da literatura latino-americana, embora permaneça inédito para o mercado editorial brasileiro. Este é Manuel Zapata Olivella criador de clássicos que investiram na sua realidade local, a Colômbia, e descreveram a penúria e a marginalização dos afrodescendentes em uma América Latina pós-colonial. A relevância de sua obra pode ser melhor compreendida por intermédio de Manuel Zapata Olivella e o “escurecimento” da literatura latino-americana (EdUERJ), de Antonio Tillis, professor da College of Charleston.
   


Para o professor da Universidade Federal de Minas Gerais, José de Paiva dos Santos, responsável pela tradução e pela introdução do livro de Tillis, a literatura de Zapata “constitui terreno fértil para o debate acerca de temas que permeiam nossa cultura pós-moderna”. No caso, enfoques como “identidades fragmentadas, hibridismos, cosmopolitismos, transnacionalidade e transculturalidade”, segundo o professor.
  
Prof. Tillis, o autor
Autor de obras seminais como Changó, el gran putas e Chambacu, corral de negros, Zapata é recorrentemente estudado no meio acadêmico em função de seu pioneirismo não só nos temas, mas nas estruturas linguísticas. A pesquisa de Antonio Tillis ajuda a compreender a importância do escritor colombiano, marcante por representar o negro latino-americano distante de estereótipos tão comuns à literatura. Mesmo quando Zapata narra situações ocasionadas pela fome, como no romance Tierra, ainda há espaço para reflexões sobre o sincretismo cultural ou as estruturas patriarcais das famílias.
   
    Um dos trunfos relativos à literatura de Zapata é que a realidade dos descendentes africanos na Colômbia encontra um paralelo nos povos de outros países latinos. O próprio autor, um escritor mestiço, de pai negro e mãe com raízes espanhola e indígena, conviveu e reproduziu em seus textos as subjetividades que compunham sua pessoa.
   

   Há de se questionar por que no Brasil, um país afetado em demasia por questões concernentes à desigualdade racial, exista dificuldade para se encontrar o exemplar de um livro de Zapata Olivella. Com isso, perdura um cenário em que a maioria de narrativas existentes reproduzem apenas a visão herdada dos colonizadores, aquela em que as etnias negras ou indígenas têm suas contribuições subestimadas.
  
   Felizmente hoje existe um crescente esforço no sentido de uma reavaliação do impacto da contribuição das raízes africanas para a formação da sociedade. Em sintonia com este movimento,Zapata Olivella e o “escurecimento” da literatura latino-americana insere-se como indicação para estudiosos de literatura ou para os interessados em compreender de forma plural a cultura da sociedade latino-americana.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Entrevista com Júlia Studart


Aqui uma conversa com Júlia Studart, professora da Unirio, autora do título da Ciranda da Poesia que trata de Nuno Ramos. 


1 - Qual foi o maior desafio de trabalhar com o material literário de Nuno Ramos? (aliás, foi você que o escolheu para tema de sua análise?)

O fato é que eu fazia um pós-doutorado na Unicamp a partir do trabalho do Nuno Ramos, com bolsa de pesquisa financiada pela FAPESP. E antes disso o trabalho dele era muito presente nas minhas pesquisas, nas minhas leituras diárias, porque me interessa muito. Tudo isso o deixou muito perto da mão. Sem contar que, acho, o trabalho do Nuno merece uma apresentação ou uma publicação de mais fôlego a mais gente, construção de acessos, sentidos etc. Foi assim que propus ao Ítalo (Moriconi), coordenador da Ciranda, que topou prontamente. E aí começou o meu impasse e desafio: pensar a complexidade e as modulações do trabalho expandido do Nuno dentro de uma coleção dedicada à poesia. Há mesmo uma impossibilidade de fixá-lo, de reduzi-lo a uma forma, a uma ideia de gênero, de verso etc. O trabalho do Nuno, prioritariamente, muda de forma, não se fixa, está muito mais perto de uma forma-informe, de uma forma fraca, e essa foi sem dúvida uma dificuldade: dar a ver essas modulações por dentro da forma, a potência dessa metamorfose que atravessa tanto os seus livros quanto o seu trabalho como artista visual. Indistintamente.

2 - Anteriormente, você já acompanhava o trabalho de Nuno Ramos?

Já acompanho há algum tempo, desde a publicação do primeiro livro, "Cujo", em 2003 – o meu livro favorito. Livro que tenho, porque ganhei dele, aquela primeira edição numerada, linda e rara, num papel e capas especiais. Talvez depois disso é que tenha ficado mais atenta ao seu trabalho de artes visuais, até que em 2013 transformei tudo isso em pesquisa de pós-doutorado.

3 - E a antologia de versos que é apresentada no título. Como foi este processo de escolha?

Bem, como toda antologia – e acho o termo um tanto problemático, prefiro pensar numa reunião espontânea, apenas –, existe aí muito dos meus interesses, das coisas que mais gosto no trabalho do Nuno entre invenção e algumas insistências, que gosto de chamar de 'imagens intermitentes', que são recorrentes no seu trabalho. Também tentei, minimamente, dar a ver as variações do seu texto até o ainda inédito "Sermões", experiência extremamente distinta dos outros livros.

4 - E como se chegou à inclusão de material de Sermões?

Nuno Ramos possui alguns livros publicados, mas que felizmente não se deixam fixar tão facilmente, principalmente se pensarmos em categorias como a de gênero literário. Já que a ideia da coleção é de dar uma pequena mostra do trabalho com a linha, com o verso, com o poema em prosa e com o pensamento, falei do livro-antologia para o Nuno e perguntei se ele não estava com nada pronto ou se trabalhava em algum projeto novo relacionado à poesia - o que daria outros sentidos tanto para a minha leitura crítica, quanto para a seleção de textos. Foi assim que me disse do seu "Sermões" e que gentilmente me cedeu para leitura e uso de alguns fragmentos. O bacana foi que "Sermões" terminou por provocar uma boa conversa e troca entre nós acerca de outras questões.

5 - Você acredita que existe algum tipo de diferença em relação a autores que se expressem apenas com a literatura para aqueles como Nuno Ramos que utilizam várias formas como a artes plásticas, músicas, etc? (aqui nesta pergunta me refiro ao processo de criação. Por exemplo, se você acha que o artista plástico Nuno Ramos poderia influenciar o escritor Nuno Ramos).

Faz toda a diferença. Por mais que o próprio Nuno procure separar essas duas instâncias [escritor e artista visual, sem contar as suas outras tantas atribuições], seu trabalho é absolutamente impuro, contaminado. Alguns trabalhos de arte incorporam textos seus ou de outros poetas, como Manuel Bandeira e Drummond, e seus livros se armam como grandes instalações movediças, extremamente plásticas, instáveis. Ou seja, Nuno, mesmo sem que o saiba [se é mesmo que não sabe], arma uma grande transparência entre os seus trabalhos, todos eles, e cria uma espécie de “ambiente”, como parece estar definido já em “Cujo”: “A transparência é uma camada que mal se percebe (a não ser pelos reflexos), mas que cria uma espécie de ambiente.” O que dizer de um livro como "Cujo", um misto de instalação, poema, livro de notas e procedimentos de trabalho? Sem contar que Nuno Ramos é um excelente leitor de nossa melhor tradição, carrega uma biblioteca no corpo [o que me interessa muito para o que penso e para o que faço no meu trabalho] e faz com que seu trabalho seja de fato muito singular no meio de toda essa nossa produção muitas vezes incipiente e pobre em invenção.  

quarta-feira, 23 de julho de 2014

EdUERJ lança nova edição de livro sobre trabalhos acadêmicos

É como diz o ditado sobre um lugar terrível cheio de bem intencionados... No meio acadêmico acontece mais o menos assim: o aluno conhece a matéria, mas se enrola na hora de confeccionar um trabalho acadêmico. Isto é muito comum, afinal, são diversas regras e formatações, que variam de acordo com o tipo de trabalho pedido. É justamente por isso que “A redação de trabalhos acadêmicos – Teoria e Prática”, organizado pelos professores Claudio Cezar Henriques e Darcília Simões, chega agora à sua sexta edição, como um dos grandes sucessos da Editora da Uerj.       
Lançado originalmente em 2002, traz ensaios, com uma linguagem simples e concisa, abordando a produção de diferentes tipos de textos universitários (fichamento, resenha, resumo, relatório e, principalmente, monografia). Explica como organizar um projeto de pesquisa, oferece dicas de clareza textual e aponta erros comuns em monografias para que os leitores tomem conhecimento deles e evitem cometê-los.

Um tema abordado em minúcias é a monografia. É o trabalho que exige do universitário uma demonstração de sua capacidade de articular as várias disciplinas aprendidas, expondo com clareza e precisão suas ideias. Também é aquele que mais perturba o aluno pela sua proposta: reunir diferentes conceitos, adaptar a um formato exigido pela academia... e ainda por cima cumprir um prazo. O livro da EdUERJ vai fazer parecer menos impossível.
Outro tópico dos trabalhos acadêmicos, mostrado nesse livro, que aterroriza os estudantes é a diagramação. Em um capítulo à parte, os autores expõem modelos de folha de rosto (e de capa), de folha de exame, de dedicatória, de agradecimento, de epígrafe, de sumário, de referências bibliográficas, entre outros. Cada um desses exemplos de modelos é seguido de explicações e comentários.
Esse livro não se pretende um manual prático: investe também nos aspectos teóricos e incentiva o aluno a uma reflexão sobre as práticas acadêmicas listadas. Se você quer um exemplo, pode ir ao capítulo 3, “A ciência, a pesquisa, o método: implicações científicas”, de Darcília Simões.
Ao destrinchar as práticas acadêmicas, “A redação de trabalhos acadêmicos” acaba por simplifica-las. Com um conteúdo produzido para graduandos e pós-graduandos, oferece aos “alunos perdidos” uma chance de salvação.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

"Metafísica e conhecimento - ensaios sobre Descartes e Espinosa" (RELEASE OFICIAL)


 Uma análise sobre conceitos de pensadores seminais do racionalismo moderno. Metafísica e conhecimento – ensaios sobre Descartes e Espinosa, de Marcos André Gleizer, publicado pela Editora da Uerj, remete a teorias que revolucionaram a filosofia por destacarem a importância de fundamentar a verdade pelo rigor da razão.
   O livro reúne dez ensaios que resultam de pesquisas desenvolvidas por Gleizer durante os últimos vinte anos. O objetivo não é determinar fatores históricos envolvidos na gênese do pensamento de Descartes e Espinosa, mas esclarecer as estruturas conceituais.
   Os capítulos enfocam diversos temas da teoria do conhecimento e da metafísica, investigando teses e problemas epistemológicos formulados por Descartes e Espinosa, em um processo que também se mostra interessante por explicitar a diferença entre os dois autores. O resultado certamente estimulará não só a uma reflexão atual sobre teorias do racionalismo moderno, mas também a uma leitura mais aprofundada dos grandes clássicos da história da filosofia.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Agora

Descobri no blog www.torvelim.blogspot.com, esta poesia de Giovani Giudici, com tradução de Davi Pessoa. Serve bem para esse momento dolorido para nós, torcedores.

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Agora

Agora silêncio como no interior de uma pérola. 
Agora façamos branco. 
Agora nem claridade nem escuridão como no interior de uma pérola. 
Agora façamos com que a cabeça desapareça de nós. 
Mas agora. 
Força.

Agora silêncio porque caso contrário
como no interior de uma pérola não dormimos.
Agora façamos amarelo façamos violeta.
Vemos vermelho, janela fechada dos olhos.
Agora façamos sem.
Agora façamos.

[giovanni giudici] - [trad. davi pessoa]

quarta-feira, 9 de julho de 2014

EdUERJ lança livro sobre história da educação no Rio de Janeiro

Professores de sete instituições de ensino superior do Estado do Rio de Janeiro refletem sobre suas experiências com o ensino da história da educação e a formação de professores. A soma destas narrativas constitui “História da educação no Rio de Janeiro – instituições, saberes e sujeitos”, lançamento da Editora da UERJ. Organizado pelos professores José Gonçalves Gondra, Maria de Lourdes da Silva e Roni Cleber Dias de Menezes, trata-se de um registro dos esforços individuais e coletivos em prol da formação profissional no Rio de Janeiro.

Os autores, docentes da PUC-Rio, UFRJ, UFF, UNIRIO, UENF, UFRRJ e UERJ,  delineiam um painel minucioso sobre as formas como o ensino e a história da educação se efetivaram nas sete instituições em que lecionam. Por consequência, o leitor pode perceber não só as diferenças de metodologias adotadas, mas também os cenários sociopolíticos e os desafios inerentes às práticas pedagógicas no Brasil.

Os estudos apresentados em cada capítulo são provenientes de um ciclo de palestras realizado no campus Maracanã da UERJ. Acompanha o livro, encartado, um dvd com o filme produzido a partir deste evento. Juntos, livro e DVD propiciam, aos pesquisadores da área, subsídios que podem enriquecer o debate sobre a trajetória e desafios do ensino da história da educação na formação docente.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Destaques de 2013: Tessituras do Tempo



A obra trata da recuperação da história brasileira. É um diálogo sobre jesuítas, tribos indígenas, entre outros elementos de um Brasil anterior à Independência associados aos períodos do Primeiro, Segundo Reinados e proclamação da República.
A análise do autor é feita a partir de um material extenso produzido durante todo o século XIX: textos oitocentistas de homens de letras do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, material do Museu Nacional e obras de escritores como Silvio Romero, Capistrano de Abreu e Euclides da Cunha.
Particularmente, o capitulo que mais me atraiu foi o que trouxe a figura de Gonçalves Dias, grande romancista brasileiro, expondo suas ideias sobre as tribos indígenas e as tendências migratórias delas dentro do território brasileiro. O capítulo mostra que, mais do que um dos nossos mais famosos poetas indianistas, Dias foi um formulador de ideias sobre as vivências dessas tribos. Infelizmente, esta relação mais aprofundada entre o escritor e a história do nosso país não é apresentada durante o colegial, restringindo a herança histórica deixada por ele. 

(Thaís Araújo)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Nuno Ramos por Júlia Studart

O novo título da Ciranda da Poesia traz os versos de Nuno Ramos, escritor e artista plástico, analisados pela professora da Escola de Letras da Unirio e também poeta, Júlia Studart. Um dos atrativos deste volume é a inclusão de material de Sermões, trabalho inédito do autor, considerado por Studart, como  "a aventura mais radical do trabalho de Nuno em livro".

Internacionalmente reconhecido na seara da arte plástica, o paulista Nuno Ramos também mostrou sua habilidade com as palavras e conquistou espaço no meio literário. Publicou seis livros e foi agraciado com o prêmio Portugal Telecom de Literatura da edição (2009) pelo seu quarto título, Ó. Os poemas selecionados para este volume da Ciranda foram selecionados nos livros Cujo e Junco, além do já citado Sermões.

  
“Nuno Ramos por Júlia Studart”, é o 23º título e soma-se a uma lista que inclui Ricardo Aleixo por Carlos Augusto Lima, Chacal por Fernanda Medeiros, Carlito Azevedo por Suzana Scramim, Aníbal Cristobo por Manoel Ricardo de Lima e Ingeborg Bachmann por Vera Lins, entre outros.


quarta-feira, 11 de junho de 2014

EdUERJ e o futebol

Futebol é um esporte vibrante, ainda mais com a Copa sendo realizada no Brasil...mas também é um fenômeno que merece e precisa ser discutido. Muitas pessoas se espantam quando descobrem que nem sempre o Brasil foi o país do futebol. Aliás, o célebre escritor Graciliano Ramos previa que se tratava de um modismo estrangeiro que não iria "pegar". Isso lá nos idos do século passado, em 1921.

No entanto, o futebol pegou e tornou-se algo que muitos acreditam "estar no sangue" da população. Um sentimento entre o mítico e o religioso. E influencia desde nossa paisagem geográfica até nossa ordem financeira, passando por questões ligadas à identidade nacional.

A EdUERJ vem publicando livros sobre o tema, como, em 2014, o "Entradas e bandeiras: a conquista do Brasil pelo futebol", de Gilmar Mascarenhas, e "Copas do Mundo: comunicação e identidade cultural no país do futebol", com organização de Ronaldo Helal e Alvaro do Cabo.

Mas é bom lembrar que houve outros. Alguns deles transcendem o futebol e alcançam o esporte como uma área mais ampla, como "O jogo continua: megaeventos esportivos e cidades", organizado por Gilmar Mascarenhas, Glauco Bienenstein e Fernanda Sánchez. Neste livro, de 2011, aborda-se justamente o que tanto se discute agora: quais os efeitos da realização de megaeventos? Como ficam a cidadania e direitos humanos? Este é o viés desta publicação.

Um destaque na área é "Futebol, jornalismo e Ciências Sociais: interações", organizado por Ronaldo Helal  Hugo Lovisolo e Antônio Jorge Gonçalves.   Este observa predominantemente a produção jornalística sobre futebol em determinados recortes temporais. São ensaios  como o que analisa o fenômeno Garrincha, assinado por Tiago Lisboa Bartholo e Antonio Jorge Gonçalves. Há também um artigo dedicado à forma como a imprensa argentina cobriu o fracasso de nossa seleção em 2006, por Ronaldo Helal e Alvaro do Cabo. Este livro é de 2011.

Mas já em 2005, antes mesmo de sermos selecionados como país-anfitrião, a EdUERJ já estava publicando. É o caso de Futebol e sociedade: um olhar transdisciplinar, de Martha Lovisaro e Lecy Consuelo Neves.Este é resultado do primeiro Colóquio de Educação Física e Desportos, apresentado na Uerj. O textos abrangem várias vertentes, que vão de um olhar nos aspectos sociomotores até um olhar que relaciona futebol e sincretismo religioso ou samba. Na realidade, é um livro inclui também outros esportes em sua análise.



Estes são alguns destaques da seleção da EdUERJ nas quatro linhas.

Afinal, torcer apaixonadamente não significa deixar o senso crítico para trás.



terça-feira, 10 de junho de 2014