segunda-feira, 25 de maio de 2015

EdUERJ com destaques na área de história


O interessante da área da história é que nunca deixará de ser escrita. Então os eventos se sucedem e, pouco a pouco, vamos nos enxergando como personagens...
Para os estudiosos da área, o desafio é saber escolher livros de qualidade. Neste aspecto, a EdUERJ vem emplacando títulos interessantes, como os dois que saíram no final de 2014 e que dialogam sobre a trajetória de um país de origem colonial como o Brasil. 

Aliás, vale ressaltar que são livros que saíram em destaque em revistas do gênero como a História Viva.

Dimensões e fronteiras do Estado brasileiro nos oitocentos, organizado por José Murilo de Carvalho e Lucia Maria  Bastos P. Carvalho, é uma contribuição  que possibilitará novos estudos sobre a construção do Estado brasileiro no século XIX.  Em seus ensaios, os autores procuram configurar teias de relações entre o Estado em construção e as tensões sociais a partir de três fenômenos centrais: nação, cidadania e Estado. Os capítulos versam sobre temas como a escravidão, a cultura letrada e as instituições jurídicas, contribuindo para maior conhecimento da história oitocentista do país.

A Óptica do Estado: visualidade no poder na Argentina e no Brasil, de Jens Andermann, com tradução de Guilherme Puccini, tem o mérito de traçar um estudo comparativo entre as duas nações. O autor, professor da Universidade de Zurique, observa mostras de museus, álbuns fotográficos e mapas geográficos provenientes de ambos países, e analisa o que estes registros nos contam sobre a história de suas sociedades. Em sua pesquisa, Andermann vai além do conteúdo de mapas e fotos, procurando o valor subjetivo daquilo que estes documentos invocam. Neste aspecto, trata-se de um livro sobre a cultural visual latino-americana que mescla análise cultural, pesquisa histórica e compreensão política.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O mundo celebra o Dia Mundial da Diversidade Cultural

No dia 21 de maio, o mundo celebra a diversidade cultural. Neste Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, nossa dica de leitura é “Pérolas Negras - primeiros fios: experiências artísticas e culturais nos fluxos entre África e Brasil”, publicado pela EdUERJ, em 2013.

História da arte e da cultura vinculadas às questões da africanidade e da afro-brasilidade, com cortes espaciais e temporais heterogêneos, estão nessa abordagem de caráter multidisciplinar, que reúne 42 ensaios, com incursões na antropologia, na sociologia e em outras áreas do conhecimento humano.

Pérolas negras - Primeiros Fios
Roberto Conduru
R$48,00
390p.
ISBN: 978-85-7511-304-2

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Entrevista com a hebiatra Dra. Stella R. Taquette


No século XXI, o mundo gira muito rápido e as dúvidas relacionadas à descoberta da sexualidade estão ocorrendo cada vez mais cedo. Se na década de 1980, a vida sexual começava por volta dos 15 anos, hoje a iniciação acontece ainda mais cedo.
Em seu livro, além de conceitos teóricos, necessários para compreensão adequada da sexualidade, dos problemas da saúde e da importância da educação para prevenção, a Dra. Stella Taquette revela dados de pesquisas com adolescentes, envolvendo temas como homofobia, DST e HIV/Aids.

1. O início da vida sexual está ligado a muitos aspectos, além da maturidade biológica. Que outros aspectos ou variáveis podem ser destacados?

Dra.Taquette - As necessidades afetivas, o padrão social cultural, a influência do grupo de iguais, da família, o estímulo dos meios de comunicação, entre outros.

2. Sabe-se que a iniciação sexual de alguns adolescentes pode passar por uma experiência homossexual. Como o hebiatra vê esse momento em especial e em que período da vida a identidade sexual é definida?

Dra.Taquette - Podemos dizer que a identidade sexual tem três principais componentes: o sexo biológico que é atributo da natureza, a identidade de gênero que é o comportamento socialmente construído e a orientação sexual que é por quem nos sentimos atraídos para manter relações sexuais. É durante a adolescência e início da idade adulta que a identidade sexual se define, porém ela não é fixa e imutável. Pode alterar no decurso da vida ou em situações específicas.

Na busca pela identidade sexual os adolescentes passam por uma fase de experimentação que pode incluir contatos hetero e homossexuais que não são obrigatoriamente definidores da identidade sexual futura. O médico que atende adolescentes deve estar aberto a ouvir e acolher seus pacientes em suas inquietações e oferecer informações que os auxiliem a vivenciar suas sexualidades com prazer e segurança.

4. Que orientação você dá aos pais sobre a conduta familiar adequada quando a homossexualidade é revelada?

Dra.Taquette - Ouvir, acolher, orientar, respeitar, proteger e procurar ajuda com profissionais de saúde sempre que sentir necessidade.

5. Educadores, profissionais de saúde, assistentes sociais, entre outros agentes sociais, estão preparados para lidar com as mudanças nos atuais códigos de gêneros?

Dra.Taquette - Em minha experiência como médica de adolescente e pesquisadora observo que em geral estes profissionais reproduzem a heteronormatividade existente na sociedade e atendem os adolescentes como se todos fossem heterossexuais, dando pouca abertura para eles se revelarem.

6. Sua pesquisa destaca problemas de saúde que podem estar relacionados tanto a questões de gênero quanto à homossexualidade. Que problemas são mais comuns nos homossexuais?

Dra.Taquette - Os problemas não estão relacionados à homossexualidade em si e sim na forma como a sociedade encara esta questão que se configura num contexto de vulnerabilidade a determinados agravos à saúde. A homofobia presente na sociedade faz com que os adolescentes que têm desejos homossexuais se sintam estranhos, diferentes dos demais e têm medo de revelar à família. Acabam se isolando e ficam deprimidos. Em casos extremos podem tentar o suicídio. Essa rejeição social aos homossexuais também pode levar ao consumo abusivo de drogas, dificuldades escolares, comportamento sexual de risco, entre outros.

7. Como bem sabemos, discriminação e vulnerabilidade estão associadas. Como a sociedade pode ser beneficiada no campo dos direitos sexuais?

Dra.Taquette - O tema sexualidade deve ser debatido na sociedade de forma ampla, livre e não preconceituosa, com enfoque nas dificuldades vivenciadas pelos adolescentes e jovens. Vivemos hoje uma situação paradoxal, pois ao mesmo tempo em que os adolescentes são altamente estimulados sexualmente pelos meios de comunicação, quando têm atividade sexual ela é considerada precoce, ou seja, não é legitimada.

Por outro lado, existe um mercado muito lucrativo que envolve a sexualidade como a pornografia, o tráfico de pessoas, entre outros, que deve ser questionado. Uma alternativa já existente que deve ser reforçada é o Programa Saúde e Prevenção nas Escolas, política pública implementada através de parceria do Ministério da Educação com o Ministério da Saúde que objetiva oferecer educação sexual para adolescentes em todas as escolas do Brasil por meio de ações de promoção da saúde sexual e reprodutiva de adolescentes e jovens.

Por Carmem Prata
Jornalista, pesquisa tecnologias de comunicação e cultura.
@carmem_prata

terça-feira, 12 de maio de 2015

Fotos do lançamento do V Encontro do Fórum de Literatura Brasileira

Fotos do Lançamento de "V Encontro do Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea". Foi uma agradável noite de autógrafos na Casa de Leitura Dirce Cortes Riedel, no dia 28 de abril.











As fotos foram cortesia de Dau Bastos

terça-feira, 5 de maio de 2015

EdUERJ torna disponível, de forma gratuita, o seu primeiro e-book


A Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (EdUERJ) torna disponível, de forma gratuita, o seu primeiro e-book.  O livro PneumoUERJ oferece a estudantes de medicina, clínicos, médicos de família e outras especialidades médicas, um conteúdo atual sobre a Pneumologia, composto por artigos e consensos contemporâneos, com um texto único no Brasil, acumulando as funções pedagógica e de formação.

Escrito por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, uma referência para formação médica, o e-book reúne temas como patologias, conceitos e terapêuticas consensuais na literatura internacional, tornando-se assim material voltado para uma formação integrada e de qualidade.  

Contribuíram para elaboração dos capítulos, profissionais de outras especialidades como cardiologia, cirurgia pediátrica, cirurgia torácica, cirurgia vascular, clínica médica, imunologia, gastrenterologia, hematologia, patologia, pediatria, otorrinolaringologia, radiologia, reumatologia, além de profissionais da biologia, enfermagem, fisioterapia e psicologia.

O e-book foi produzido em formato e-pub, com a preocupação estética de promover uma experiência de leitura positiva para o leitor. Trata-se de um trabalho multidisciplinar, com ênfase na prática clínica dos autores, que utilizam quadros, tabelas e figuras, de forma a tornar a leitura mais amigável.

Para agilizar o processo de busca de temas específicos, o livro está dividido em nove seções.  A primeira versa sobre as bases teóricas para o estudo das doenças respiratórias, incluindo noções de anatomia e fisiologia respiratórias, exames complementares mais utilizados, síndromes frequentes e noções de farmacoeconomia das doenças pulmonares.

A seguir, os autores abordam as principais doenças infecciosas, como pneumonia, tuberculose e micose. As neoplasias de pulmão e síndromes para neoplásticas são apresentadas em dois capítulos da seção III. A quarta seção é composta pelas doenças vasculares e do interstício pulmonar. É a parte mais extensa do livro, com o conteúdo exposto de forma objetiva e com muitas ilustrações.

A quinta seção é composta pelas doenças obstrutivas, tais como a asma, DPOC, bronquiectasia e fibrose cística são apresentadas de forma esquematizada. Tanto o diagnóstico como o tratamento são amplamente discutidos.

A disciplina de Pneumologia e Tisiologia da Universidade do Rio de Janeiro foi criada em 1962, quando o Hospital Pedro Ernesto foi incorporado à Faculdade de Ciências Médicas, tornando-se também hospital universitário.  Desde então, o Hupe vem se impondo como um dos centros de excelência na formação de novos pneumologistas.

O livro foi organizado por Cláudia  Henrique da Costa, Agnaldo José Lopes, Domenico Capone, Eduardo Haruo Saito, Monica de Cássia Firmida e Rogério Rufino.  O primeiro tomo já está disponível para download, no site da EdUERJ Digital.



sexta-feira, 1 de maio de 2015

EdUERJ lança livro sobre homossexualidade e adolescência


 No dia 12 de maio, a Editora da Uerj lança um livro que trata um tema que constantemente esbarra na desinformação e no preconceito. “Homossexualidade e adolescência sob a ótica da saúde”, de Stella R. Taquette, a ser lançado na Livraria Argumento, às 19h, ajuda a compreender um universo que nas últimas décadas conquistou direitos nem sempre reconhecidos por alguns setores da sociedade.
O livro se divide em cinco partes, com temas específicos, a saber: a sexualidade humana e suas definições em diversas áreas do conhecimento; a homossexualidade e sua identidade em épocas distintas; os resultados de uma pesquisa com adolescentes com experiências homossexuais; dados de uma pesquisa com jovens que contraíram Aids na adolescência; e propostas relativas à atenção  à saúde de adolescentes com experiências homossexuais.
A hebiatra Stella Taquette aborda, de forma clara, a fase inicial do processo da puberdade, explicando as mudanças corporais, a atividade erótica e a fase final da adolescência.  A autora também enfoca tabus sociais como transexualismo juvenil, despindo-se de preconceitos, e enfatizando o sentimento de culpa que muitas vezes acomete os adolescentes com essa vivência.
O trabalho de Stella está em sintonia com o século em que se procura a aceitação da diferença. A promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente e a Convenção Internacional sobre os direitos da criança trouxeram, ao final do século XX, uma mudança de ares em relação aos direitos dos jovens. Os novos ordenamentos jurídicos, incluindo a constituição de 1988, reconheceram pela primeira vez os direitos individuais de natureza civil, política, econômica, social e cultural, elevando o adolescente à condição de sujeito de direito. Contudo, é comum o relato de fatos em que as escolhas ou opções dos jovens são hostilizadas.
Por basear-se em fatos médicos e científicos, “Homossexualidade e adolescência sob a ótica da saúde” pode ser esclarecedor tanto para os profissionais de saúde quanto para os adolescentes e suas famílias.


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Lançamento: Dia 12 de maio, terça-feira, às 19h
Local: Livraria Argumento
Endereço: Rua Dias Ferreira, 417, Leblon.

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Título: Homossexualidade e adolescência sob a ótica da saúde
Autora: Stella R. Taquette
No. de páginas: 252
ISBN: 978-85-7511-360-8
Preço: R$40,00

quinta-feira, 30 de abril de 2015

EdUERJ lança "Diálogos interdisciplinares"

Na segunda-feira, 11 de maio, a EdUERJ lança o livro “Diálogos interdisciplinares: Literatura e Políticas Culturais”, cujos ensaios enfocam conceitos de cultura e identidade, levando em conta as mudanças na esfera cultural do mundo contemporâneo. O livro, organizado por Geraldo Pontes Jr., Maurício Barros de Castro e Myrian Sepúlveda dos Santos, será lançado às 19:00 na Blooks Livraria, na Praia de Botafogo, 316 (Espaço Itaú de Cinema).

Diálogos interdisciplinares enfatiza a aproximação entre a área de letras e as ciências sociais, explorando perspectivas diversas. Um exemplo disso é encontrado no segundo capítulo (“Tensões e disputas culturais”), de Carmem Lúcia Negreiros de Figueiredo, que faz uma ponte entre o romance “Recordações do escrivão Isaías Caminha” de Lima Barreto e a literatura contemporânea/jornalismo.

Outro destaque é o primeiro capítulo, “Arte, cultura e poder”, do sociólogo Renato Ortiz. Ele aponta como fatores como a técnica nas sociedades atuais, o movimento de globalização e o advento de movimentos identitários alteram em muitos aspectos  os entendimentos do conceito de cultura. Para ele, cultura encerra uma polifonia de sentidos, inserindo-se em diversas áreas do saber, tais como antropologia, sociologia ou crítica literária.

O livro interessará aqueles que procuram observar manifestações culturais, principalmente as da área da escrita, sob o viés das ciências sociais. Neste caso, destaca-se o olhar dos ensaístas, valorizando tópicos como as tensões da cultura, o apagamento da memória, os processos de dominação e os engodos históricos.
O resultado é uma reflexão a respeito da sociedade contemporânea, com temas atraentes a críticos literários, sociólogos, antropólogos, historiadores e cientistas políticos.


Contato: imprensa.eduerj@gmail.com

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Livro novo chegando por aqui!

Homossexualidade e adolescência, sob a ótica da saúde, de Stella R. Taquette traz à tona um tema relevante e pouco explorado, tratado sob o ponto de vista da saúde, é apresentado de maneira clara e didática. 

Além de conceitos teóricos, necessários para a compreensão adequada da sexualidade, dos problemas da saúde e da importância da educação para prevenção, são apresentados dados revelados por pesquisas sobre tópicos como homofobia, DST e HIV/Aids, que envolveram adolescentes. 

Uma abordagem ligada à produção de sentidos sobre as vivências e às experiências da vida, que torna essa obra uma leitura obrigatória para todos aqueles que constroem seu saber nas diversidades da vida, no respeito às diferenças e na escuta do outro.

R$40,00
252p.
ISBN: 978-85-7511-360-8

terça-feira, 28 de abril de 2015

No Dia Mundial da Educação, que reflexões a história da educação pode nos trazer?

Neste Dia Mundial da Educação, que reflexões a história da educação pode nos trazer e quais são as suas relações com os programas de formação dos docentes? Professores representantes das sete universidades do estato do Rio de Janeiro, UERJ, PUC-Rio, UFRJ, UFF, UNIRIO, UENF e UFRRJ, apresentaram suas experiências em debate sobre o ofício e os compromissos relativos à pesquisa, ao ensino e à formação docente.

A soma destas narrativas constitui “História da educação no Rio de Janeiro – instituições, saberes e sujeitos”,  da Editora da UERJ. Organizado pelos professores José Gonçalves Gondra, Maria de Lourdes da Silva e Roni Cleber Dias de Menezes. Trata-se de um registro dos esforços individuais e coletivos em prol da formação profissional no Rio de Janeiro.


Os estudos apresentados em cada capítulo são provenientes de um ciclo de palestras realizado no campus Maracanã da UERJ. Acompanha o livro, encartado, um dvd com o filme produzido a partir deste evento. Juntos, livro e DVD propiciam, aos pesquisadores da área, subsídios que podem enriquecer o debate sobre a trajetória e desafios do ensino da história da educação na formação docente.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Entrevista: Daniel Moutinho



O Blog da EdUERJ conversou com o Daniel Moutinho, mestrando de literatura comparada pela UFRJ, um dos autores cujos artigos foram selecionados para livro V Encontro do Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea, lançado pela EdUERJ. O ensaio de Daniel iluminou determinadas características de “A audácia dessa mulher”, livro de Ana Maria Machado.

Como foi o processo de produção do texto “A metaficção de A audácia dessa mulher, de Ana Maria Machado"?

Esse ensaio é parte da pesquisa da minha Dissertação de Mestrado, na qual estudo dois romances metaficcionais: este eCordilheira, do Daniel Galera. Quando surgiu a chamada para o Encontro do Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea, em meados de 2014, eu estava mais envolvido com este livro do que com o Cordilheira, por isso escolhi esse tema. É uma forma de apresentar resultados parciais da pesquisa e de pôr as hipóteses à prova.

Quais qualidades que te atraíram no livro dessa autora?

A leitura desse romance, há alguns anos, me incomodou muito - no bom sentido! Eu não entendia como uma mulher culta (uma das personagens do livro), que já tinha sido professora de literatura, lia o diário de uma personagem como Capitu e não a reconhecia. Devorei o livro para descobrir que explicação ele daria. Daí surgiu meu interesse pela metaficção. Quer dizer, uma leitura catártica me levou a levantar questionamentos teóricos e, consequentemente, me rendeu um projeto de Mestrado.

Em que o seu texto apresenta um olhar diverso de outras análises que vêm sendo feitas sobre a mesma obra?
Todos os trabalhos sobre "A audácia" que encontrei falam muito da questão feminista e do Dom Casmurro. Eu concordo que não dá para analisar o livro sem isso, mas nenhum deles se aprofundava no caráter metanarrativo, e me propus a pesquisar isso.

Esse romance de Ana Maria Machado é considerado metaficcional e dialoga com Dom Casmurro. Por que você acha que o livro de Machado de Assis provocou essa “resposta literária” da escritora?

A audácia...foi publicado em 1999, no centenário de Dom Casmurro. Apesar de subverter o romance de Machado, é uma homenagem e uma atualização das questões de gênero que permeiam essa obra. No Dom Casmurro, Bentinho e Capitu vão para a Europa, ele volta sozinho e ela some da história. Ana Maria deu continuidade à vida dela; é uma ideia muito bonita.

Aproveitando e falando um pouco do clássico de Machado de Assis...Há aqueles que consideram o livro Dom Casmurro uma obra de teor “falocêntrico” e machista. Já outros veem uma certa crítica àquela sociedade da época, ao demonstrar o personagem principal tão obcecado (ou paranoico). Você se colocaria em algum desses lados?

Acho injusto "criticar" uma obra de Machado por um suposto machismo em seu conteúdo. É uma espécie de anacronismo crítico e teórico: julgar um texto do passado com as ideias de hoje. Machado, como qualquer um de nós, é um homem do seu tempo, existe um contexto social por trás. É bom lembrar que foram necessários 60 anos para a dúvida sobre a traição de Capitu ser levantada. A primeira a falar disso foi uma crítica mulher, e norte-americana, Helen Caldwell. Ou seja, de um contexto sociocultural totalmente diverso daquele em que Machado produziu. Até 1960 Capitu era adúltera e ponto final, o que diz alguma coisa sobre a expectativa da sociedade brasileira sobre o assunto. Sobre a crítica à sociedade da época, ela está presente em todo Machado; com certeza ele não queria que Bentinho fosse visto como um herói ou qualquer tipo de exemplo a ser seguido. Nesse sentido ele estava muito à frente de seu tempo...

Voltando ao seu ensaio publicado no livro da EdUERJ, Ana Maria Machado optou pela intertextualidade, com uma obra dentro de outra. Você acredita ser este um recurso de cunho estritamente estilístico ou há também outros motivos para trilhar esse caminho?

Neste caso, existe um propósito claramente político: o de repensar as relações de gênero a partir de uma personagem clássica da literatura nacional. A intertextualidade e a metalinguagem formam, emA audácia..., um jogo de espelhos em que todas as personagens femininas se refletem em uma Capitu reinventada, que trilha seu próprio caminho, conta sua própria história e se torna uma empresária bem-sucedida na Europa após se separar do Bentinho. Dá para considerar como um recurso "pós-moderno", e o pós-modernismo é bastante criticado por um suposto esteticismo acrítico, inconsequente. Não é o caso deste romance, com toda a certeza. É um livro feminista.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Na Feira das Editoras Universitárias

Fotos da Editora da UERJ na Feira da UFF, um grande momento que reuniu todos aqueles que procuram livros de teor acadêmico. As fotos foram cedidas por Ana Paula Campos, da Seção de Comunicação e Eventos, da EdUFF.




Alexandra Toste, do Departamento Comercial da EdUERJ.



quarta-feira, 15 de abril de 2015

EdUERJ tem novo Conselho Editorial

Na sexta-feira, 10 de abril, tomou posse o novo Conselho Editorial da Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(EdUERJ). O novo Conselho tem mandato de dois anos e é formado pelos professores Italo Moriconi (como presidente), Erick Felinto (FCS), Glaucio Marafon (IGEO), Jane Russo (IMS), Maria Aparecida Ferreira de Andrade Salgueiro(ILE) e, como membro externo, o jornalista Bernardo Esteves. Permanecem, agora na condição de membros honorários, os professores e ex-diretores da EdUERJ, Ivo Barbieri (ILE) e Lúcia Bastos (IFCH).


A reunião trouxe à tona questões relacionadas ao último ano da atual gestão, e também reflexões acerca da realidade do livro impresso e do futuro da publicação digital. Novas parcerias para a EdUERJ e formas de manutenção de sua produção editorial foram debatidas pelos novos integrantes.  Destacou-se também o debate sobre as possibilidades do selo EdUERJ Digital, iniciativa cujo primeiro lançamento será o livro PneumoUERJ (tomo 1), organizado pelos professores Cláudia Henrique da Costa, Agnaldo José Lopes, Domenico Capone, Eduardo Haruo Saito, Mônica de Cássia Firmida e Rogério Rufino.  O livro terá download gratuito no site da EdUERJ e está previsto para ser disponibilizado em abril.

Na mesa: Glaucio Marafon, Lúcia Bastos, Jane Russo, Erick Felinto e Italo Moriconi











Postado por R.Zentgraf. Fotos: Divulgação

segunda-feira, 13 de abril de 2015

EdUERJ comemora 20 anos olhando para o futuro

Instituída por resolução do Conselho Universitário, a Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (EdUERJ) comemora seus 20 anos de criação com um olhar para as novas tecnologias de comunicação.

Criada para atender as demandas editoriais da instituição, a editora teve em 2014 uma obra indicada ao Prêmio Jabuti pelo quarto ano consecutivo. Com um catálogo que supera 330 títulos e algumas premiações, a Editora agora se prepara para ingressar no mundo digital, com o selo EdUERJ Digital. 

À frente da EdUERJ há sete anos está o professor do Instituto de Letras, Ítalo Moriconi, graduado em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mestre e doutor em Letras pela PUC-Rio e pós-doutorado em Comunicação pela UFRJ.

Nesta entrevista, para o Informe UERJ, ele fala sobre a trajetória da EdUERJ, aponta desafios da sua gestão e comenta o futuro da produção editorial.


Por Carmem Prata
Jornalista, pesquisadora de tecnologias de comunicação, cultura letrada e cibercultura
@carmem_prata



Entrevista com o professor Glaucio José Marafon


"Parceria entre a Uerj e a Universidade Tor Vergata"
Nesta terça, 14 de abril, a Editora da Uerj lança o livro “Turismo e território no Brasil e na Itália: novas perspectivas, novos desafios”, organizado por Gláucio José Marafon, Marcelo Antonio Sotratti e Marina Faccioli.

Entrevistamos o professor Gláucio José Marafon, coordenador de Geografia da UERJ, e organizador do livro.

Blog: Professor, de onde veio a ideia de fazer essa conexão entre Itália e Brasil?


Prof. Glaucio: O convênio entre Brasil e Itália, a Universidade Tor Vergata (Roma 2) foi incentivado pelo Magnifico Reitor da UERJ, professor Ricardo Vieiralves. Uma missão de trabalho foi realizada em 2010, e a partir desse momento tem sido frequente a vinda de professores da Universidade Italiana para ministrar curso no programa de pós-graduação em Geografia e no de graduação em turismo. Atualmente temos dois alunos de doutorado em regime de co-tutela em Roma, e a participação de uma professora da Tor Vergata na proposta de mestrado acadêmico em turismo.

Blog: Por que dividiram o livro em duas línguas distintas? 

Prof. Glaucio: Como o livro é fruto de uma parceria entre os docentes das universidades optamos por não traduzir e manter os textos nas línguas originais, com o intuito de incentivar os nossos alunos a aprimorarem o aprendizado das línguas.

Blog: Como foi a cooperação entre o Instituto de Geografia da UERJ e a Universidade Tor Vergata?

Prof. Glaucio: A cooperação tem sido proveitosa sobretudo no processo de internacionalização do programa de pós-graduação em Geografia, com o recebimento de professores da Tor Vergata, a ida de professores da UERJ e o acordo de co-tutela. Atualmente temos dois alunos de doutorado em Roma nesse regime.

Blog: Ainda faltam aproximações para se conhecer e entender conexões entre culturas distintas, como por exemplo a cultura ítalo-descendente. Quais seriam as ferramentas necessárias para que se ocorra uma maior aproximação entre sociedades tão diferentes?

Prof. Glaucio: Estamos trabalhando para uma maior aproximação sobretudo com o curso de turismo, com a possibilidade do mestrado em turismo, onde essa parceria pode render boas possibilidades de trabalho.



Blog: Muito obrigada pela entrevista e atenção.


O lançamento de "Turismo e território no Brasil e na Itália" será na terça, 14 de abril, às 18h30 no Instituto Italiano de Cultura, localizado na Avenida Presidente Antônio Carlos, 40, 4º andar – Centro do Rio de Janeiro.


Por Christiane Lagun, aluna de Relações Públicas da UERJ

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Nos links abaixo, mais informações sobre o livro "Turismo e território no Brasil e na Itália: novas perspectivas, novos desafios".


http://www.eduerj.blogspot.com.br/2015/03/turismo-e-territorio-vida-cultural.html


(por Carmem Prata)


http://www.eduerj.blogspot.com.br/2015/04/lancamento-turismo-e-territorio-no.html


(por Christiane Lagun)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Lançamento: Turismo e território no Brasil e na Itália


No dia 14 de abril de 2015, a EdUERJ lança o livro “Turismo e território no Brasil e na Itália: novas perspectivas, novos desafios”, organizado por Gláucio José Marafon, Marcelo Antonio Sotratti e Marina Faccioli. O lançamento começa às 18:30 no Instituto Italiano de Cultura, localizado na Avenida Presidente Antônio Carlos, 40, 4º andar – Centro do Rio de Janeiro.

O livro escrito por cinco pesquisadores brasileiros e cinco italianos, apresenta uma ligação entre as nacionalidades italiana e brasileira no que diz respeito ao turismo cultural. A obra, bilíngue, é fruto de uma cooperação entre Instituto de Geografia da UERJ e da Universidade Tor Vergata. O objetivo central é levar aos olhos do leitor a conexão entre turismo e território, mostrando-a em perspectivas diversas, como a cultural, a política, a econômica, entre outras.

O estudo é dividido em duas partes, sendo a primeira sobre os novos olhares do turismo no território brasileiro e a segunda sobre turismo e o desenvolvimento do território italiano. Temas como aproximação e contrastes entre turismo e patrimônio cultural; a busca por um conceito de turismo solidário e a discussão de uma política de saúde para o viajante no Brasil são alguns dos assuntos abordados pelos pesquisadores de língua portuguesa. Já a parte escrita em italiano explora temas como questões territoriais do turismo em Roma e seus recursos arqueológicos; e os desafios do desenvolvimento turístico frente à necessidade de sustentabilidade econômica, social e ambiental. Desse modo, ambas as partes têm como função mostrar semelhanças e divergências entre os dois países, estabelecendo sempre uma ponte entre as duas realidades.



 Por Christiane Lagun 
Estudante de Relações Públicas (UERJ)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Valorizando os autores clássicos

Hoje ouvimos recorrentemente que a linguagem de autores clássicos como Machado de Assis, se confrontada com as frases curtas e pensamento fragmentado da internet, demonstra-se de difícil compreensão para um estudante. Então não resisto a formular uma questão: por que há poucas décadas os estudantes se debruçavam sobre os grandes romances brasileiros e hoje os docentes ficam apreensivos com a resposta dos alunos a esse tipo de tarefa? 
Será que diante das mudanças que acompanharam o mundo via internet, não há mais a possibilidade de um professor incutir em seu o aluno o apreço por uma literatura de qualidade?

Infelizmente aqueles que hoje se iniciam como leitores nem sempre encontram um dedicado professor que saiba indicar uma leitura apropriada de muitos dos principais escritores brasileiros.
É possível que falte tempo e paciência para que os clássicos sejam apresentados de forma gradual ao estudante. Um caminho seria começar por textos que mantenham a qualidade, e, ao mesmo tempo, ofereçam uma linguagem mais acessível, de forma a propor uma leitura conjunta de alunos e professores na sala de aula.


Esta é a proposta de “Machado para jovens leitores”, que traz escritos selecionados pelos professores Ana Chiara, Antonio Carlos Secchin, Denise Brasil e Ivo Barbieri. O conteúdo reúne poemas, contos, crônicas e trechos de romances. Inclui um capítulo com a descrição feita por Machado para alguns de seus célebres personagens como Dona Plácida, de Memórias póstumas de Brás Cubas, ou José Dias, de Dom Casmurro. Em destaque, vale a pena conferir “A um bruxo, com amor”, poema concebido pelo mestre Carlos Drummond de Andrade, no qual cita vários tipos machadianos.

Na mesma linha está “Euclides para jovens leitores”, organizado pelos professores Ivo Barbieri, Maria Aparecida Andrade Salgueiro e Nelson Rodrigues Filho. A publicação compila textos do autor de “Os sertões”. Reúne não só trechos do seu romance mais conhecido, mas também ensaios jornalísticos e políticos, além de cartas que permitem perceber mais da personalidade do escritor.


Machado de Assis e Euclides da Cunha podem ser reescritos, adaptados ou copiados. No entanto, alcançaram o respeito justamente pela qualidade da obra. E como essas criações não podem ser melhoradas, por que não ler os originais?

por R.Zentgraf




quarta-feira, 1 de abril de 2015

Dau Bastos aposta no convívio entre o digital e o impresso

Dau Bastos: "o importante é ter acesso ao texto"

O Blog da Editora da Uerj entrevistou o escritor e professor de literatura brasileira da UFRJ, Dau Bastos. Ele contou mais sobre o recente lançamento da EdUERJ, "V Encontro do Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea", do qual é um dos organizadores. 

Blog: Oi, professor. Que paralelo você traçaria entre o Encontro do Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea realizado em 2014 e o dos anos anteriores?

Dau Bastos: A quinta edição do encontro não apresentou grandes mudanças em relação às anteriores, mas comprovou a pertinência de cultivarmos amplamente a conversa num evento dedicado a obras de autores em atividade e frequentado majoritariamente por estudantes. Recebemos mais de duzentos pesquisadores de diferentes estados da Federação, entre alunos de graduação, mestrado e doutorado. Como as mesas-redondas se fazem de entrevistas públicas seguidas de debates e as tardes são reservadas a comunicações, a animação foi especialmente grande. Outro motivo de alegria foi a qualidade dos textos recebidos posteriormente, com vistas à publicação em nossa revista (www.forumdeliteratura.com) e no livro resultante do evento. Lê-los é perceber que o gênero ensaio tem sido praticado com crescente desenvoltura e a reflexão sobre o que se anda produzindo em prosa e verso no país vem amadurecendo bastante.

Blog: Quais as contribuições mais relevantes do livro “V Encontro do Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea – Ensaios e Entrevistas” para quem atua na área de Letras?

Dau Bastos: Um dos aspectos importantes da coletânea é que cada um de seus treze ensaios privilegia uma obra específica, o que, por si só, já chama a atenção para a grande variedade de nossa atualidade literária. Igualmente interessante é perceber que os textos partilham algumas constantes fundamentais do escrito expositivo, mas se singularizam pela abordagem e a forma desenvolvidas pelos seus respectivos autores. Quanto às entrevistas, dão mostra da riqueza dos diálogos que o campus pode travar com a cidade, no ano passado representada por duplas de poetas, ficcionistas, tradutores e editores. Assim, reunimos dados e ideias sobre a produção, a difusão e a recepção da literatura nacional de nossos dias. Com questões elaboradas e um trabalho de edição cuidadoso, tentamos levar as quatro entrevistas literárias do volume ao máximo do rendimento analítico e, assim, contribuir para o fomento do gênero no âmbito dos cursos de Letras.

Blog: Na apresentação da entrevista que fez com os editores Carlos Andreazza e Flávia Iriarte, você menciona que eles defendem o aumento do número de leitores como solução para o barateamento dos livros. Concorda com essa opinião?

Dau Bastos: Sim, na medida em que grandes públicos demandam tiragens elevadas, que, por sua vez, barateiam o custo de cada exemplar. Se nossa vasta população lesse mais, as editoras teriam condições de baixar o preço do livro e, ainda assim, permanecer no azul. Mas essa matemática simples foi mero ponto de partida para um raciocínio mediante o qual os dois editores enfatizaram a necessidade de o país finalmente virar a página vergonhosa dos diferentes analfabetismos e tornar-se uma pátria capaz de universalizar a capacidade de leitura de textos mais complexos, como, por exemplo, a literatura de qualidade. Em síntese, a discussão sobre o preço do livro no Brasil só ganha alguma luz se nos dispomos a dilatar o foco para encarar nosso crônico problema educacional.

Blog: A publicação também aborda a questão do livro digital. Você acredita que, em um futuro próximo, os brasileiros consumirão mais livros através de aparelhos eletrônicos?

Dau Bastos: Como cresci nos confins de Alagoas, tive no livro impresso um tapete voador tão importante que logo cedo fui trabalhar no mercado editorial, do qual só comecei a me afastar no momento em que passei a pagar minhas contas como professor universitário. Como muita gente, gosto de curtir o livro também em sua materialidade. No entanto, faz tempo que recorro cotidianamente a pdfs disponibilizados na internet e há alguns anos venho usando o Kindle como fonte gratuita (ou quase) de livros cuja edição impressa é cara ou de alcance complicado. Em ambos os casos, percebo que os escritos não perdem nada de seu valor apenas porque se acham digitalizados. De modo que, ao ver um percentual cada vez maior de meus alunos recorrendo a seus aparelhinhos para consultar material que lhes envio por e-mail, penso que o impresso é uma maravilha, mas a própria dureza nos ensina que o importante é ter acesso ao texto. Daí minha crença de que aos poucos, nós, brasileiros, recorreremos mais à edição digital. Isso não me impede, porém, de partilhar a aposta, feita pelos editores que entrevistamos, de que os dois tipos de livro não entrarão em conflito e, na verdade, se fortalecerão mutuamente.

Blog: A quem você indicaria a leitura de “V Encontro do Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea – Ensaios e Entrevistas”?


Dau Bastos: Ao pessoal de Letras, que encontrará no volume uma combinação feliz dos gêneros ensaio e entrevista literária, um panorama animador da produção literária atual em nosso país e uma série de provas de afinidade entre nosso currículo e as atividades editoriais. Focalizado pelos autores e editores, mas também pelas duas tradutoras entrevistadas, o mundo do livro foi objeto de discussões que certamente interessarão também aos estudantes e professores da área de Comunicação. Agora, como alguém que lançou seu primeiro romance três décadas atrás e há mais de vinte anos pesquisa a literatura brasileira contemporânea, eu indicaria o livro igualmente aos ficcionistas e poetas tropicais. Faço a sugestão pensando que, entre os contemporâneos verdadeiramente merecedores de aplauso, nota-se um conhecimento dos caminhos percorridos pela literatura que, adquirido no contato com textos de crítica, história e teoria da literatura, faz uma falta devastadora àqueles que se fecham na própria ignorância e se fiam exclusivamente na intuição.

Blog: Agradecemos a entrevista!

Entrevista conduzida por Thaís Araújo, estudante de jornalismo da Uerj e estagiária da EdUERJ.
Foto de Dau Bastos tirada por Elaine Nunes.

terça-feira, 31 de março de 2015

Turismo e território: vida cultural, política, ambiental e econômica

Este livro oferece uma abordagem multidisciplinar sobre o turismo, explorando essa riqueza temática, com contribuições de dois países: Brasil e Itália.

Natureza, cultura, patrimônio e turismo, comumente vistos sob a égide do chamado turismo cultural, aqui problematizado, têm aspectos analisados a partir de cada território, com uma aproximação que traz à tona a relação entre turismo e território nas várias dimensões da vida cultural, política, ambiental ou econômica, entre tantos outros recortes.  

Cinco textos de pesquisadores brasileiros e outros cinco de pesquisadores italianos desenvolvem temas que mostram semelhanças e distinções entre um país e outro, e que contribuem para o debate sobre turismo e território, em suas especificidades.


Aproximações e contraste entre turismo cultural e patrimônio cultural; uma abordagem estratégica para inserção da variável ambiental no planejamento turístico; a busca por um conceito de turismo solidário; a discussão de uma política de saúde para o viajante no Brasil; a natureza turística do Rio de Janeiro, são temas de análise dos pesquisadores brasileiros.

Já os pesquisadores italianos elegeram, entre outros, temas como as questões territoriais do turismo em Roma e seus recursos arqueológicos; Il Lago di Como e a riqueza socioespacial dessa categoria geográfica; as premissas conceituais e os desafios do desenvolvimento turístico frente à necessidade de sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Este estudo bilíngue é um trabalho de cooperação entre o Instituto de Geografia da UERJ, por meio do Departamento de Turismo, e da Universidade Tor Vergata (Roma Dois), para troca de experiências entre pesquisadores dos dois países.

Lançamento

A EdUERJ tem o prazer de convidar a todos para o lançamento de "Turismo e território no Brasil e na Itália", que irá acontecer no dia 14 de abril, às 18h30, no Instituto Italiano de Cultura, localizado na Av. Presidente Antonio Carlos, no. 40/ 4o. andar, no Centro do Rio de Janeiro. Esperamos vocês lá!

 


 Por Carmem Prata
Jornalista, pesquisadora de tecnologias de comunicação, cultura letrada e cibercultura
@carmem_prata

sexta-feira, 27 de março de 2015

Uma homenagem da EdUERJ à arte de interpretar

O caminho percorrido por Nelson Rodrigues é repleto de polêmicas e críticas implacáveis, assim como de grandes sucessos. A sua peça O Vestido de Noiva (1943) marcou o surgimento do teatro moderno brasileiro. Seguiram-se outras: Álbum de família (1945), Anjo negro (1946), A falecida (1953), Os sete gatinhos (1958), Bonitinha, mas ordinária (1962), Toda nudez será castigada (1965), entre tantos outros textos encenados.

Neste dia 21 de março, em que se comemora o Dia Mundial do Teatro, a EdUERJ homenageia a arte de interpretar, destacando dois livros do catálogo sobre a obra desse escritor que se tornou um dos maiores dramaturgos brasileiros. 

"Nelson Rodrigues e a obs-cena contemporânea", de autoria de Victor Hugo Adler Pereira, e "Nelson Rodrigues: persona", de Maria Cristina Batalha, podem colaborar para que se compreenda melhor o espírito de um dos mais cultuados dramaturgos brasileiros.

Em "Nelson Rodrigues: persona", Maria Cristina Batalha parte do princípio de que o ponto comum entre todas as narrativas de Nelson está na forma como o próprio autor se relacionava com suas criações. Nelson Rodrigues gostava de causar espanto com declarações ousadas e sarcásticas, colocando-se em destaque, como um dos personagens de suas tramas. A professora Batalha procura esse "Nelson - personagem" por meio de uma análise de entrevistas do dramaturgo, mas também da observação de suas obras e episódios da vida pessoal do criador de "O Vestido de noiva".

Em "Nelson Rodrigues e a obs-cena contemporânea", Victor Hugo articula reflexões que redimensionam o autor teatral em face a contextos da sociedade atual, assim como propõe uma contraposição à maneira como autores atuais lidam com os valores da psicanálise em suas peças. Nelson Rodrigues faz sentido posto a frente da visão psicanalítica do teatro deste novo milênio? Além de estimular indagações desse teor, Victor Hugo sugere outro debate: tendo Nelson como marco do teatro brasileiro dos anos 1940,o livro contrasta peças do escritor brasileiro com a obra de Eugene O' Neill, cuja produção foi um marco da renovação do teatro americano do segundo decênio do século  XX. Há também de se ressaltar que "Nelson Rodrigues e a obs-cena contemporânea" deriva de uma tese de doutorado, orientada por Affonso Romano de Sant' Anna.

Então, no Dia Mundial do teatro, que tal saber mais sobre Nelson Rodrigues?